O ex-marqueteiro do PT, João Santana, avaliou como um risco a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Janja em um desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói. A agremiação terá um enredo sobre a vida do presidente, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
Santana alertou em vídeo divulgado nas redes sociais que a exposição do presidente no carnaval pode ter um efeito negativo. "O carnaval se presta mais para demolição do que para a construção de imagem de político", afirmou, comparando a situação a um "tiro que sai pela culatra". Ele citou a possibilidade de uma "soma negativa, onde todos saem perdendo".
Apesar de a iniciativa ser da escola de samba, Santana considera que a aproximação de Lula e Janja ao evento tornou a situação delicada. A decisão de Janja desfilar no último carro alegórico e a presença de Lula em um camarote da Prefeitura do Rio, com o prefeito Eduardo Paes, geram preocupações no governo sobre interpretações de propaganda eleitoral antecipada.
O Palácio do Planalto vetou a participação de ministros no desfile, mas o governo busca evitar que a apresentação seja considerada irregular pela Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já rejeitou pedidos para suspender o desfile, mas o caso segue em análise.
Santana também apontou que a repercussão do desfile pode afetar a imagem de Lula em regiões cruciais para a busca por votos, como o interior de São Paulo, o Sudeste e o Sul, além de questionar o impacto no Nordeste e entre o eleitorado evangélico.
Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Grupo Prerrogativas, defendeu a participação de Janja, afirmando que "não há impedimento de nenhuma natureza" e que tentativas de "criminalizar o desfile" são equivocadas.
Lula iniciará um tour de carnaval que passará por Recife, Salvador e terminará no Rio de Janeiro, com a presença na Marquês de Sapucaí no domingo. Há um clima de apreensão no governo quanto à exposição do presidente a críticas e vaias durante as festividades, enquanto outros defendem que a presença dele aproxima o mandatário da população.