Um grupo de credores da Raízen, gigante do setor de açúcar e etanol, está perto de contratar a consultoria Moelis para atuar como assessora financeira durante o processo de reestruturação da companhia. A informação foi confirmada por uma fonte próxima às negociações.
A Raízen, uma joint venture entre a Cosan e a Shell, enfrenta um cenário de alto endividamento e pressão do mercado. A empresa discute internamente uma reorganização que pode envolver capitalização, renegociação de dívidas e venda de ativos.
Os números recentes reforçam a dificuldade financeira. Em 30 de setembro de 2025, a dívida líquida da companhia atingiu R$ 53,4 bilhões, um aumento de 48,8% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a Raízen registrou um prejuízo de R$ 2,3 bilhões, quase 15 vezes maior que o apurado no trimestre anterior.
As ações da empresa refletem a instabilidade do mercado. No início desta semana, as agências de classificação de risco Fitch, S&P e Moody’s rebaixaram a nota da Raízen. Analistas apontam a necessidade de um aporte de pelo menos R$ 20 bilhões para equilibrar as finanças, com especulações sobre a participação do BNDES nessa injeção de recursos.
Enquanto a Raízen conta com o Rothschild como assessor financeiro e a Alvarez & Marsal para reestruturação, além de escritórios de advocacia para a parte jurídica, os detentores de títulos da dívida externa estão representados pelo escritório White & Case. A Moelis, que já atuou em casos como o da Azul Linhas Aéreas e Americanas, surge agora como potencial assessora dos credores.