O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou nesta segunda-feira (11/02/2026) que descumprirá a decisão do Tribunal de Justiça do estado (TJMG) que suspendeu a implementação de escolas cívico-militares. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Simões declarou que não aceita "interferências" do Judiciário e que, ao assumir o governo interinamente em menos de 60 dias, irá avançar com o modelo educacional.
A determinação do TJMG, acatando parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), impede o governo mineiro de dar continuidade ao programa nas nove escolas que já o adotavam e de expandir a política. O TCE-MG citou a ausência de leis específicas, falta de previsão orçamentária, indicadores educacionais não significativos e o questionamento sobre o uso de militares da reserva com verbas da segurança pública como justificativas.
Simões afirmou respeitar todos os Poderes, mas defendeu que o Judiciário deve se ater à sua "competência". "Podem se preparar para mandar me prender, porque eu vou abrir colégios cívico-militares assim que eu entrar no exercício como governador do estado de Minas", declarou.
O presidente do TCE-MG, Durval Ângelo, reagiu ironicamente, comparando a postura de Simões à do ex-presidente Jair Bolsonaro e alertando sobre as "consequências" de desacatar decisões judiciais.
O governador Romeu Zema (Novo), que se desincompatibilizará para disputar a Presidência, publicou vídeo em apoio a Simões, afirmando que o "sucesso do modelo em Minas e no Brasil não pode ser freado por ideologia ou opinião da Justiça". Zema também criticou a educação defendida pela "esquerda".
O modelo de escolas cívico-militares, defendido por governos de direita, tem sido implementado em outros estados, como Paraná e São Paulo, apesar de também enfrentar contestações judiciais. Simões pretende usar a defesa do programa como bandeira eleitoral e como forma de expor discordâncias com o Judiciário brasileiro.