O combinado nórdico, modalidade que mistura esqui cross-country e salto, permanece como o único esporte exclusivamente masculino nos Jogos de Inverno. A exclusão das mulheres gera frustração e protestos de atletas e especialistas que lutam por igualdade de gênero, ainda distante no evento, onde 53% dos participantes são homens.
A atleta americana Annika Malacinski, de 24 anos, utilizou as redes sociais para denunciar a situação. Em um vídeo, ela simulou sua partida para os Jogos, mas explicou que o objetivo era destacar a ausência de uma prova feminina olímpica. "Você está pronta para as Olimpíadas de Inverno, mas eles não te deixam participar", escreveu.
A campanha "A igualdade não precisa esperar quatro anos" ganha força entre as defensores da modalidade, presente no programa olímpico desde 1924. O Comitê Olímpico Internacional (COI) aponta a "baixa audiência" e a "falta de competição evidente" como motivos para a não inclusão das mulheres. O COI afirmou que uma avaliação completa será feita após os Jogos de 2026 para decidir sobre a inclusão das provas femininas e masculinas em 2030.
A falta de um espaço para as mulheres preocupa nomes importantes do esporte. "Sem as mulheres, o que será deste esporte?", questiona Sirpa Korkatti, presidente da Federação Finlandesa de Esqui. O ex-campeão olímpico Fabrice Guy tem a "impressão de que o combinado nórdico está sendo deixado de lado".
"Dói assistir aos Jogos pela TV, pensando que eu poderia estar lá se não fosse mulher", lamentou a francesa Lena Brocard, principal atleta do país na modalidade, que incentiva o público a acompanhar o esporte para pressionar o COI.
Fonte: O Globo