O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9), em São Paulo, que se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conhecesse a "sanguinidade de Lampião", não ficaria provocando o Brasil.
A fala ocorreu, em tom de brincadeira, durante cerimônia no Instituto Butantan. Em seguida, Lula disse que não quer briga com o norte-americano e ironizou: "vai que eu brigo e eu ganho".
"Quando eu viajar, eu sou muito teimoso e sou muito tinhoso, sabe, se o Trump conhecesse sabe, o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente", afirmou.
Lula disse que a prioridade do Brasil deve ser defender o multilateralismo no cenário internacional. "Então, a briga do Brasil, é a briga da construção da narrativa, nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo", declarou. Ele também afirmou que o multilateralismo garantiu paz em parte do mundo.
Na mesma agenda, o presidente anunciou investimentos para ampliar a estrutura do Instituto Butantan e aumentar a capacidade de produção de vacinas e insumos imunobiológicos. O plano inclui a fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA) para imunizantes como a DTPa (difteria, tétano e coqueluche) e a vacina contra o HPV. O investimento total previsto é de R$ 1,4 bilhão, com o objetivo de reduzir a dependência de importações.
Participaram do evento o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Lula tem usado agendas na área da saúde para criticar a condução do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 e reforçar a defesa de vacinas e da ciência. Com a aproximação de 2026, ano eleitoral, o tema voltou a ganhar espaço na estratégia do governo, que busca associar investimentos em vacinação, produção nacional de imunizantes e fortalecimento do SUS à retomada de políticas públicas.
O governo também anunciou o início da vacinação contra a dengue para profissionais de saúde da Atenção Primária do SUS, com base no desenvolvimento de uma vacina 100% nacional pelo Butantan. As primeiras doses já foram distribuídas aos estados.
A vacinação de pessoas de 15 a 59 anos está prevista para começar no segundo semestre de 2026, conforme a ampliação da produção. Segundo o governo, foram adquiridas 3,9 milhões de doses, com investimento federal de R$ 368 milhões, e está prevista uma parceria estratégica com uma empresa chinesa para aumentar a produção em até 30 vezes.
Fonte: g1