As ações do Japão fecharam em recorde nesta segunda-feira (9), em Tóquio, após a vitória eleitoral do Partido Liberal Democrático (PLD), liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi. O resultado reforçou a expectativa de continuidade de políticas pró-negócios e impulsionou a alta do mercado.
O Nikkei 225 chegou a avançar mais de 5% no início do pregão e superou pela primeira vez os 57 mil pontos. Mais tarde, reduziu os ganhos e terminou o dia em alta de 3,9%, aos 56.363,94 pontos, novo recorde histórico.
Na eleição parlamentar realizada no domingo (8), o PLD conquistou 316 das 465 cadeiras da Câmara Baixa. Foi a primeira vez que um partido atingiu sozinho a maioria de dois terços desde 1947, quando o Parlamento japonês passou a operar no modelo atual. O Partido da Inovação do Japão, aliado de coalizão, venceu em outros 36 distritos, elevando o total governista para 352 assentos.
A supermaioria consolida Takaichi, que assumiu o cargo em outubro, e tende a facilitar a aprovação de sua agenda econômica. A premiê afirmou que seguirá uma política fiscal "responsável, porém agressiva" e descartou mudanças no gabinete, formado há menos de quatro meses.
Analistas apontam que o resultado reduz a incerteza política e pode ampliar o apetite por risco. Em entrevista à BBC, a analista de investimentos Yuka Marosek disse que estímulos, ajustes tributários e desregulamentação podem servir de "combustível adicional" para a tendência de alta na bolsa japonesa.
Chris Scicluna, chefe de pesquisa da Daiwa Capital Markets na Europa, afirmou que investidores "há muito tempo acreditam em Takaichi" e avaliam positivamente a sinalização de menos austeridade, a promessa de mais investimentos e a prioridade a setores como defesa e inteligência artificial.
No câmbio e no mercado de títulos, porém, o entusiasmo é menor. A dívida pública elevada mantém parte dos investidores cautelosa sobre como o governo pretende financiar as medidas econômicas. "Eles querem saber como ela pretende pagar essa conta", disse Scicluna.
O governo também enfrenta desafios estruturais, como inflação acima do padrão histórico japonês, custo de vida mais alto, envelhecimento acelerado da população e pressão sobre a seguridade social. Na campanha, Takaichi prometeu reduzir impostos e ampliar gastos para estimular o crescimento, proposta que divide economistas.
Fonte: O Globo