Brasil, 7 de fevereiro de 2026
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Cuidados com autistas no Carnaval

Às vésperas do período mais festivo do ano, muitas famílias se preparam para viajar ou participar da programação de Carnaval. Para crianças e adolescentes autistas, essa época pode trazer desafios relacionados a barulho, excesso de estímulos e mudanças na rotina. Especialistas em desenvolvimento infantil destacam que pequenas adaptações ajudam a tornar a experiência mais tranquila, seja na praia, no campo ou em cidades com intensa atividade de blocos.

A psicóloga Sirlene Ferreira, da Clínica Conecta Aba Incluir Brincando e referência no atendimento a neurodivergentes, explica que a antecipação de informações é um recurso importante. Segundo ela, prever o que vai acontecer reduz a ansiedade e facilita a adaptação. Planejamento, comunicação clara e respeito ao tempo da criança são pilares que ajudam a evitar sobrecarga sensorial, especialmente em períodos de maior movimento. Outro ponto essencial neste período é o cuidado com a segurança em locais cheios. A recomendação é manter identificação visível na criança, combinar pontos de encontro e evitar circulação em multidões. Em situações de grande fluxo, segurar a mão, usar pulseiras de contato e redobrar a atenção ajudam a prevenir desencontros.

Para famílias que pretendem viajar para a praia, orientar sobre a textura da areia e a temperatura da água pode ajudar a minimizar incômodos. Levar guarda sol e criar um espaço mais reservado também favorece uma vivência confortável. No campo, o foco costuma estar em garantir previsibilidade. Caminhadas, visitas a áreas verdes e atividades ao ar livre podem ser positivas quando organizadas com pausas e momentos de descanso.

Nas capitais e regiões onde os blocos de rua e escolas de samba ganham protagonismo, o barulho é uma das principais preocupações. Protetores auriculares e fones abafadores ajudam a reduzir o impacto sonoro. Escolher horários mais tranquilos e trajetos alternativos permite circular com segurança sem expor a criança a estímulos que possam gerar desconforto. É recomendável manter itens de apoio, como garrafa de água, brinquedos sensoriais e óculos escuros, que contribuem para regular o ambiente.

Segundo Sirlene, durante todo o Carnaval, preservar a rotina básica da criança é essencial. Horários de alimentação e sono, mesmo que com pequenas adaptações, colaboram para manter o equilíbrio emocional. Outro ponto é respeitar limites. Caso apareçam sinais de irritação ou cansaço, uma pausa rápida costuma ser suficiente para estabilizar o comportamento.

“O objetivo não é impedir a participação nas atividades, mas criar condições para que cada criança viva o período de forma segura e prazerosa. Com organização, diálogo e atenção às necessidades individuais, o Carnaval pode se tornar uma experiência inclusiva e acolhedora para famílias com crianças autistas”, finaliza Sirlene.

Fotos: Divulgação

Sirlene Ferreira – PSICÓLOGA CLÍNICA – CRP 06 64773 – Com 26 anos de experiência, Sirlene é graduada pela Unicapital, pós-graduada em Psicanálise em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein e possui MBA em Gestão de Pessoas pela FGV. Estuda e aplica os conceitos da psicanálise, segue atuando na clínica e presta consultoria em gestão de pessoas, treinamentos e palestras para médias e grandes empresas. Atua em escolas como psicóloga e é proprietária do Instituto Sirlene Ferreira e da Clínica Conecta Aba Incluir Brincando, clínica especializada em autismo e desenvolvimento infantil.

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