Brasil, 29 de janeiro de 2026
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PT deve manter aliança com PSB em vez de apoiar Raquel Lyra

Nos bastidores da política pernambucana, as especulações sobre alianças para as próximas eleições estaduais estão em alta. Aliados do prefeito de Recife, João Campos (PSB), avaliam que o PT não “jogaria fora” a aliança nacional com o PSB a favor de uma possível união com a governadora Raquel Lyra (PSD) em uma eventual disputa contra Campos pelo Executivo de Pernambuco. Essa análise se dá após líderes do PT no estado defenderem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria considerar um “palanque duplo” no seu estado natal.

O panorama das alianças em Pernambuco

Atualmente, o diretório do PT em Pernambuco afirma que não existe uma decisão formal sobre o futuro das alianças políticas. As falas de alguns membros refletem, segundo o partido, apenas posicionamentos pessoais. A complexidade dessa relação fica evidente, considerando que Campos é também o presidente nacional do PSB, que se alinha diretamente com a reeleição de Lula.

Raquel Lyra, recentemente filiada ao PSD, ascendeu politicamente em um ambiente de transição, se distanciando do PSDB para se aproximar do governo federal. Essa mudança é vista por muitos como uma estratégia para ganhar apoio em sua corrida pelo governo de Pernambuco, especialmente com o suporte de figuras importantes como o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Aliados de Campos insistem que a relação entre o PSB e o PT se mantém sólida e que as candidaturas conjuntas são uma realidade em mais de uma dezena de estados. Um interlocutor próximo ao prefeito enfatizou que “a aliança nacional entre o PT e o PSB está consolidada em candidaturas em vários estados” e que um possível acordo com Lyra, que anteriormente se negou a receber Lula em eventos no estado, não seria a melhor opção.

A pressão por um palanque duplo

Por outro lado, a proposta de um palanque duplo tem ganhado força com a defesa de figuras importantes do PT na Assembleia Legislativa de Pernambuco. O deputado estadual João Paulo, que lidera a bancada do PT, argumenta que apoiar tanto Lyra quanto Campos seria uma estratégia benéfica para garantir que a mensagem e a campanha de Lula alcancem todos os cantos do estado, o que é visto como prioridade para a sigla.

João Paulo acredita que, embora haja divergências, o reconhecimento da importância do apoio federal é uma chave para o sucesso nas eleições. “A governadora tem se mostrado receptiva ao apoio de Lula, e isso é crucial”, afirma. Para ele, a união dos esforços pode resultar em uma votação mais expressiva no Nordeste, o que é vital para o PT e para a reeleição de Lula.

Disputas internas e a busca por unidade

As divergências dentro do PT estão se tornando cada vez mais evidentes. O ex-presidente do partido em Pernambuco, Doriel Barros, expressou a necessidade de um diálogo mais aberto entre o PT e o PSB, enfatizando que o processo atual tem ‘falta de sintonia’. “Dois palanques podem trazer mais votos para Lula, o que é crucial para a nossa estratégia”, afirmou Barros.

A direção do PT, apesar das opiniões diversas manifestadas por alguns de seus integrantes, disse estar no início de um processo de discussão coletiva sobre as prioridades. Carlos Veras, presidente do PT em Pernambuco, declarou que um anúncio sobre apoios será realizado após uma ampla discussão com a direção nacional, reafirmando que as opiniões pessoais não devem ser confundidas com a posição oficial do partido.

O senador Humberto Costa, por sua vez, considera que qualquer discussão sobre um palanque neste momento é prematura e acredita que, quando o partido tomar uma decisão, “todos marcharão juntos”, indicando uma necessidade de unidade, mesmo diante das divergências atuais.

A corrida pelo apoio de Lula em Pernambuco

A disputa pelo apoio de Lula nas eleições de 2024 se intensifica à medida que Campos e Lyra se afirmam como candidatos viáveis. Um episódio emblemático ocorreu em agosto, quando Campos se aproveitou da ausência de Lyra em compromissos com Lula para se reafirmar como um “soldado” do presidente, tentando esfriar a ideia de um palanque duplo. Enquanto isso, a proximidade de Lyra com figuras do governo federal coloca o PSD em uma posição estratégica, o que complica ainda mais as dinâmicas entre os partidos.

O cenário político em Pernambuco é, portanto, uma verdadeira dança de alianças e estratégias que, certamente, irá definir o futuro eleitoral do estado. Com as eleições se aproximando, as decisões tomadas agora poderão ter um impacto significativo nas futuras configurações de poder.

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