Poucos dias antes da operação da Polícia Federal que apreendeu o celular de Nelson Tanure no aeroporto do Galeão, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou a intenção de desapropriar dois imóveis icônicos na cidade ligados ao empresário. A ação faz parte de uma tentativa de combater imóveis abandonados e gerar impacto econômico e social na região.
Paes anuncia desapropriação de imóveis relacionados a Tanure e imóveis abandonados na cidade
Em 30 de dezembro, Eduardo Paes utilizou suas redes sociais, especialmente o X (antigo Twitter), para denunciar o abandono de dois grandes hotéis — Praia Ipanema e Intercontinental — que estariam há anos inativos, sem que os proprietários tomassem providências. “Especulação sem produção não dá!”, afirmou. Ele ressaltou ainda a possibilidade de desapropriar esses imóveis caso os proprietários não apresentem propostas concretas em 30 a 60 dias.
“Caso os proprietários desses dois imóveis não apresentem propostas muito concretas nos próximos 30/60 dias, vamos desapropriar por hasta pública para que esses equipamentos possam gerar riqueza e empregos para nossa cidade”, declarou o prefeito do Rio. A medida visa reativar imóveis que atualmente permanecem abandonados e que poderiam beneficiar a economia local.
Imóveis na mira de Paes pertencem à Gafisa, ligada a Nelson Tanure
Dos três imóveis na lista do prefeito para eventual desapropriação, dois — Fashion Mall e Praia Ipanema — pertencem à construtora Gafisa, na qual Nelson Tanure possui participação significativa. O hotel localizado na Avenida Vieira Souto, no Leblon, tem uma história marcada por dificuldades, incluindo uma aquisição de R$ 180 milhões pela Gafisa em 2023, através da construtora Bait, que tinha relacionamento com a família Klabin.
A aquisição do hotel, que permanece desativado até hoje, resultou de uma estratégia de expansão da Gafisa, que planejava um projeto de R$ 1 bilhão integrando residencial e hotel em Ipanema, em parceria com o empresário francês Alexandre Allard. Entretanto, o projeto ainda não avançou, e a tentativa de venda do imóvel a um fundo misterioso, o Altamura, por R$ 55 milhões, acabou sendo suspensa após disputas judiciais relacionadas à relação de Tanure com o fundo.
Disputas judiciais e questões financeiras envolvendo Tanure e a Gafisa
A gestora Esh, que trava uma guerra judicial com Nelson Tanure, questionou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a relação entre o empresário e o fundo Altamura, alegando beneficiário final. A CVM, por sua vez, concluiu que não havia provas suficientes para sustentar a acusação, ainda que reconheça a existência de investigações internas sobre as relações entre acionistas e veículos de investimento ligados à Gafisa.
O fundo Altamura decidiu desistir da aquisição sem justificativas detalhadas, sendo alega que a família Klabin conseguiu bloquear a transação na Justiça. Além disso, a disputa entre Tanure e a Gafisa continuou na Justiça e em arbitragens, especialmente após a construtora deixar de cumprir o contrato de compra de participação na propriedade.
Perspectivas e impactos
A autoridade do prefeito do Rio indica uma possível mudança no perfil dos imóveis abandonados na cidade, com foco na revitalização e estímulo à economia local. A situação revela o delicado relacionamento entre o setor imobiliário, empresários ligados a Tanure e a administração municipal, em meio a disputas judiciais e estratégias de negociação.
Segundo fontes próximas ao setor, a decisão de Paes de aplicar desapropriações visa não apenas valorizar os imóveis, mas também incentivar uma postura mais proativa dos proprietários na revitalização de áreas comerciais e residenciais essenciais para o desenvolvimento urbano do Rio.
Para mais detalhes sobre o caso, acesse a matéria completa no O Globo.


