Em um gestículo significativo para o diálogo inter-religioso, a Santa Sé e o Estado do Kuwait emitiram um comunicado conjunto enfatizando a importância do respeito mútuo e da convivência pacífica entre diferentes crenças. Nos dias 15 e 16 de janeiro de 2026, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, estará à frente das celebrações da Igreja de Nossa Senhora da Arábia, que foi proclamada Basílica Menor. Esta visita é um marco na relação entre o Kuwait e a Santa Sé, estabelecendo laços que datam de 1968.
Força dos laços diplomáticos entre o Kuwait e a Santa Sé
A visita do cardeal Parolin, que começou na quarta-feira, 14 de janeiro, visa fortalecer a amizade e a cooperação contínuas entre as duas entidades. De acordo com o comunicado, durante sua estada, Parolin se reunirá com o primeiro-ministro do Kuwait, Ahmad Abdullah Al-Ahmad Al-Sabah. Essas reuniões são parte do esforço para consolidar a tradição de coexistência religiosa que tem caracterizado o Kuwait ao longo das décadas.
A proclamação da Igreja de Nossa Senhora da Arábia como Basílica Menor ocorre em um contexto mais amplo de respeito inter-religioso. Desde a sua fundação, o Kuwait tem cultivado um ambiente que permite a convivência pacífica entre muçulmanos e cristãos, algo que está refletido em sua Constituição e em suas práticas diárias.
A Igreja de Nossa Senhora da Arábia: Uma história de fé
A Igreja de Nossa Senhora da Arábia, localizada em Ahmadi, é a mais antiga igreja católica do Kuwait e da região do Golfo Arábico. Este título de Basílica Menor foi concedido pelo Papa Leão XIV em 28 de junho de 2025 e é um reconhecimento da importância histórica e espiritual da igreja na região. A construção da capela original ocorreu em 1948, e a igreja atual, finalizada em 1957, foi possível devido às generosas doações de benfeitores locais, que continuam a apoiar a comunidade até hoje.
Com esta designação histórica, a Igreja de Nossa Senhora da Arábia assume um papel ainda mais proeminente como a igreja-mãe do Kuwait. A visita do cardeal Parolin é significativa não só para a comunidade católica, mas para todo o Kuwait, por sua capacidade de mostrar ao mundo uma face positiva das relações entre diferentes religiões. Na cerimônia de proclamação da Basílica Menor, Parolin destacará o papel vital da igreja na promoção da paz e do entendimento entre os povos.
Diálogo contínuo e intercâmbios culturais
A visita do cardeal também se articula em um contexto de diálogos passados e futuros. Um momento importante foi a visita do falecido Emir do Kuwait, Xeique Sabah Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah, ao Papa em 2010, que estabeleceu novas bases para as relações entre o Kuwait e a Santa Sé. Neste sentido, a histórica visita de Parolin também é uma festa para lembrar e renovar esses laços construídos ao longo do tempo.
Além da cerimônia na igreja, o cardeal Parolin também deve visitar a Grande Mesquita e o Museu de Antiguidades Islâmicas no Kuwait, aprofundando ainda mais a troca cultural e a compreensão entre as comunidades. Essa aproximação vem em um momento delicado, onde o mundo necessita de mais diálogo e menos polaridade, e a relação entre o Kuwait e o Vaticano serve como um exemplo de como essas interações podem ser positivas.
Pavimentando o caminho para o futuro
A visita do cardeal representa muito mais do que uma simples celebração; é uma afirmação de que o diálogo inter-religioso é um caminho viável para a paz. O Estado do Kuwait se comprometeu a continuar promovendo a amizade e a coexistência pacífica, refletindo um modelo que deveria ser seguido em outras partes do mundo. A proclamação da Igreja de Nossa Senhora da Arábia como Basílica Menor é um marco não somente religioso, mas também um passo significativo em direção a uma comunidade mais harmoniosa e colaborativa.
Como o futuro se desenha, todos os olhos estarão voltados para o que essa visita trará de novo nos esforços para manter e fortalecer a paz inter-religiosa na Península Arábica, com a certeza de que cada passo dado juntos pode levar a um futuro mais harmonioso.


