Brasil, 15 de janeiro de 2026
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Refugiados da guerra no Congo enfrentam condições desumanas no Burundi

Nos últimos meses, a guerra civil na República Democrática do Congo (RDC) tem empurrado centenas de milhares de civis para uma realidade desesperadora. Esses refugiados estão se aglomerando em campos no Burundi, onde as condições são alarmantes e a ajuda humanitária é insuficiente. O relato do missionário xaveriano Mario Pulcini, que atua na região, destaca a urgência da situação e a necessidade de apoio contínuo.

A dramática situação dos refugiados

Desde o início do intenso conflito no norte de Kivu, uma das províncias mais ricas em recursos minerais da RDC, estimativas apontam que mais de 200 mil pessoas já cruzaram a fronteira em busca de segurança e abrigo. Com o aumento do fluxo de refugiados, a situação nos campos de acolhimento em Burundi tornou-se crítica. Como relatou o padre Pulcini, no campo de Ruyigi, por exemplo, já ocorreram mais de 60 mortes, muitas delas ocasionadas pela cólera, uma doença que se espalha rapidamente em condições de higiene precárias.

Condições desumanas e falta de recursos

Viver em campos improvisados com tendas feitas de materiais reciclados é, para muitos, um pesadelo. As últimas chuvas torrenciais transformaram esses abrigos em verdadeiros túmulos, colocando ainda mais vidas em risco. A Caritas e outras organizações tentam fornecer as mínimas condições de sobrevivência, mas os recursos são limitados. Os refugiados recebem apenas 36 mil francos burundineses, cerca de 7 euros, que na prática não garantem a compra de alimentos em um ambiente onde a escassez é generalizada.

Necessidade urgente de ajuda humanitária

A situação é ainda mais crítica devido ao fechamento das fronteiras entre a RDC e seus países vizinhos, como Ruanda e Burundi. Isso faz com que a ajuda internacional dependa de atravessar a Tanzânia, um percurso cheio de riscos e demorado. O aporte financeiro prometido pela ONU ainda não chegou, o que agrava a vulnerabilidade dos que foram forçados a deixar suas casas. Apesar disso, a população burundinesa tem mostrado solidariedade, acolhendo refugiados em suas próprias casas. Inicialmente, havia temor de que integrantes do grupo M23 se infiltrassem entre eles, mas a compaixão prevaleceu.

A Igreja como um pilar de esperança

A resposta à crise humanitária também tem vindo das paróquias e das congregações religiosas, que apesar de sua própria precariedade, estão mobilizando recursos. O próximo dia 30 de janeiro marcará um evento especial em que a comunidade eclesial de Bujumbura se unirá para arrecadar doações destinadas aos refugiados. Cada gesto conta, e essa iniciativa reflete a força da solidariedade em meio ao caos.

A situação em Uvira: uma sombra que perdura

Enquanto isso, do outro lado da fronteira, a cidade de Uvira permanece sob a ameaça constante do grupo M23, que continua a lançar ataques. O padre Pulcini comunica frequentemente com outros religiosos na região, que permanecem enfurnados entre bombardeios e o desespero da população local, que também padece com a falta de alimentos.

Desumanidade em tempos de guerra

Um episódio recente vivido por um dos confrades de Pulcini ressalta a crueldade desta realidade: após obter as autorizações necessárias, ele tentava levar um religioso mexicano até a fronteira para que pudesse se despedir da mãe falecida. No entanto, uma súbita mudança de planos por parte das autoridades do lado burundinense impediu a despedida, demonstrando a desumanidade que permeia esse conflito.

A situação na RDC e a resposta da comunidade global à crise tensional e humanitária permanecem incertas. É imperativo que a comunidade internacional veja além do esquecimento e reconheça que a vida de milhares de refugiados depende de ações compassivas e eficazes. Todos merecem dignidade e a esperança de um amanhã melhor.

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