No cenário das praias cariocas, uma nova medida do Procon promete proteger os consumidores de práticas consideradas abusivas. A consumação mínima, comumente exigida por bares e restaurantes à beira-mar, é alvo de críticas e fiscalização intensificada. Para o secretário de Proteção e Defesa do Consumidor, João Pires, tal prática constitui venda casada, o que a torna ilegal.
O que é consumação mínima?
A consumação mínima refere-se à exigência de que clientes gastem um valor mínimo em estabelecimentos, independentemente do que desejam consumir. Essa prática tem se tornado comum em muitos bares e restaurantes, principalmente em regiões de grande movimento turístico, como as praias do Rio de Janeiro. Segundo Pires, “A consumação mínima é uma espécie de venda casada. E é proibido. Porque você está condicionando um tipo de venda, um tipo de aluguel, um tipo de serviço a outras vendas.”
Fiscalização do Procon e seus objetivos
Com o intuito de assegurar os direitos dos consumidores, o Procon Carioca está promovendo uma operação chamada “Preço Justo”, que visa coibir práticas abusivas nos estabelecimentos da orla. Durante a fiscalização, os agentes do Procon verificam se os empreendimentos estão cumprindo as normativas do Código de Defesa do Consumidor. O foco é garantir que os consumidores não sejam pegos de surpresa por cobranças indevidas ou restrições que não possuem amparo legal.
Reações dos consumidores e empresários
As reações à iniciativa do Procon são diversas. Enquanto alguns consumidores celebram a fiscalização e se sentem amparados na sua condição de clientes, empresários argumentam que a consumação mínima é uma forma de garantir a sustentabilidade do negócio, diante dos altos custos operacionais e da sazonalidade do turismo. O proprietário de um bar da Zona Sul, que preferiu não se identificar, afirmou: “Precisamos garantir que o cliente, ao se sentar aqui, consuma um mínimo, pois o aluguel e os custos fixos são altos. Mas claro que respeitamos as regras e queremos trabalhar dentro da lei.”
Direitos do consumidor
Todos os consumidores têm direitos garantidos pelo Código de Defesa do Consumidor. Isso inclui o direito à informação clara e adequada sobre produtos e serviços, e a proibição de cláusulas que coloquem o consumidor em desvantagem, como a exigência de consumação mínima. A população é incentivada a denunciar práticas irregulares ao Procon, que pode aplicar penalidades aos estabelecimentos que não se adequarem às normas.
A importância da conscientização
A conscientização sobre os direitos do consumidor é essencial para garantir uma relação saudável entre clientes e fornecedores. Campanhas educativas e informativas podem ajudar a esclarecer as regras e a legalidade das exigências de consumação. O Procon tem investido em programas de educação para o consumidor, com o objetivo de fornecer informações necessárias para que os cidadãos saibam como agir diante de irregularidades.
O futuro da fiscalização nas praias
Com a Operação Preço Justo, o Procon Carioca espera não apenas corrigir irregularidades imediatas, mas também criar uma cultura de respeito às normas de defesa do consumidor no setor de serviços. O desejo é que, com o tempo, a prática da consumação mínima caia em desuso, trazendo uma experiência mais justa e transparente para os frequentadores das praias do Rio de Janeiro.
A expectativa é que o combate à venda casada e à imposição de consumação mínima incentive um diálogo constante entre consumidores e empresários, resultando em um ambiente de consumo mais justo e equilibrado. O Procon reitera que a fiscalização deve ser uma rotina, contribuindo para a história de respeito e direitos garantidos no consumidor carioca.


