Brasil, 15 de janeiro de 2026
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Prefeito de Cubatão busca ajuda do governo federal para evitar fechamento de fábricas

O prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), anunciou que vai viajar a Brasília na próxima semana com representantes políticos, empresariais e sindicais da Baixada Santista. O objetivo é solicitar ao governo federal uma revisão na política tarifária que incide sobre o setor petroquímico, especialmente na importação de fertilizantes, após o encerramento de duas fábricas na cidade.

Pedido de reunião com o governo federal

Nascimento pretende conversar com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, para discutir os impactos do fechamento das unidades da petroquímica Unigel e da Yara Brasil Fertilizantes. Segundo o prefeito, o problema não é apenas local, mas uma questão que enfraquece toda a indústria nacional.

“Vamos solicitar uma audiência para tratar dos reflexos do fechamento de fábricas instaladas em Cubatão, que enfrentam dificuldades há mais de uma década”, explicou à Agência Brasil. “A perda de um polo industrial de tanta relevância altera o protagonismo do Brasil na área.”

Além disso, Nascimento pretende cobrar agilidade na conclusão do processo administrativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, que investiga o possível dumping europeu nas exportações chinesas de produtos laminados de ferro ou aço para o Brasil.

Fechamento da unidade da Unigel e seu impacto

No último dia 8, após quase 70 anos, a fábrica de estireno e tolueno da Unigel foi paralisada. A decisão foi motivada pelo cenário global de baixa na indústria química, com excesso de oferta de commodities petroquímicas e expansão internacional da capacidade de produção.

A unidade de Cubatão empregava cerca de 70 trabalhadores diretos e outros 30 indiretamente, e a companhia declarou que a paralisação pode ser temporária, caso as condições de mercado melhorem. A empresa, que está em recuperação judicial desde outubro de 2025 devido a uma dívida superior a R$ 5 bilhões, afirma que focará na produção de poliestireno na fábrica de Guarujá.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Herbert Passos Filho, o encerramento de unidades industriais em Cubatão reflete a crise do setor e a dependência crescente de importação de fertilizantes, especialmente após a paralisação da produção da norueguesa Yara em fevereiro deste ano.

Desafios e políticas públicas

Nos últimos anos, o governo buscou estimular a indústria química e de fertilizantes por meio de incentivos fiscais, como o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq) e o Regime Especial da Indústria Química (Reiq). Após a invasão na Ucrânia, em 2022, o Brasil intensificou essas ações, diante da crise de abastecimento de fertilizantes.

Por outro lado, a tributação sobre fertilizantes ainda representa entraves para o setor agrícola. O aumento do ICMS, por exemplo, elevou o custo para produtores rurais em bilhões de reais, alimentando resistência do agronegócio às medidas de incentivo.

Competitividade da indústria petroquímica

Ao comentar a situação de Cubatão, o vice-presidente Geraldo Alckmin reconheceu as dificuldades do setor em competir internacionalmente. Ele destacou a criação do Regime Especial da Indústria Química, que reduziu impostos sobre insumos, e reforçou a importância de defesa comercial dentro das regras da Organização Mundial do Comércio.

“Nosso objetivo é proteger e estimular a indústria química brasileira, gerando empregos qualificados”, afirmou Alckmin. “Estamos trabalhando para manter a competitividade do setor.”

Perspectivas futuras

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) lamentou o fechamento das fábricas em Cubatão e destacou a necessidade de políticas públicas mais eficazes para evitar o aprofundamento da desindustrialização no país. A entidade sinaliza a importância de esforços coordenados entre governos e setor privado para fortalecer o setor produtivo.

O município de Cubatão, considerado um dos maiores polos industriais do Brasil na década de 1980, tem sofrido perdas significativas, com o desemprego aumentando e a diminuição das indústrias químicas e siderúrgicas. A tentativa do prefeito César Nascimento é buscar apoio federal para garantir a sustentabilidade do setor industrial na cidade.

Para mais informações, acesse o link original.

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