O movimento recente de alta do Ibovespa, índice que reúne as principais ações de empresas brasileiras de capital aberto, é sustentado por fatores internacionais e internos, apesar das expectativas de maior volatilidade durante o ciclo eleitoral de 2026. Segundo analistas ouvidos pelo GLOBO, a tendência de valorização deve perdurar devido ao ciclo de queda de juros nos Estados Unidos e à expectativa de redução da taxa Selic no Brasil.
Contexto da valorização do mercado de ações brasileiro
Desde 2025, o Ibovespa atingiu 32 recordes e acumulou uma valorização de 34%, o maior desempenho desde 2016, impulsionado por fatores externos favoráveis. Analistas internacionais destacam que a rotação de carteiras globais em direção aos mercados emergentes, incluindo o Brasil, deve continuar beneficiando o desempenho do índice. Isso ocorre devido ao ciclo de redução de juros nos Estados Unidos, que aumenta o apetite por risco e reduz a atratividade dos títulos do Tesouro americano.
Influência do cenário externo
De acordo com Ivan Kleimann, diretor de Investimentos para Mercados Emergentes da gestora escocesa Aberdeen, a expectativa de cortes contínuos nos juros americanos e uma política monetária global mais sincronizada favorecem a alocação de capital em regiões emergentes. Além disso, a queda dos juros no Brasil, prevista para ocorrer a partir da reunião de março do Copom, deve estimular ainda mais o mercado local, com a taxa Selic podendo chegar a aproximadamente 12% até o final de 2024, conforme o relatório da Capital Economics.
Fatores internos e riscos eleitorais
Apesar do cenário otimista, analistas alertam para a volatilidade elevada que as eleições de outubro podem gerar. Mariano Machado, da Verisk Maplecroft, destaca que as eleições costumam provocar oscilações mais intensas e que a percepção de uma possível mudança de governo, com maior disposição para controlar a dívida pública, anima os investidores. Contudo, ele ressalta que sinais de menos compromisso com a disciplina fiscal pelo próximo governo podem pesarem negativamente sobre o Ibovespa.
Perspectivas para o mercado brasileiro
Especialistas avaliam que, se o ambiente de juros mais baixos e avaliação de ações atrativas persistir, o Ibovespa pode atingir 200 mil pontos até o final de 2024, como prevê o Morgan Stanley. Além disso, o mercado brasileiro se mantém positivo devido às avaliações descontadas das ações e aos seus fundamentos resilientes, mesmo diante da incerteza política.
Segundo Kleimann, a expectativa é de que o fluxo de capitais continue favorecendo o Brasil, sobretudo se houver avanços nas reformas fiscais e sinais de maior compromisso do próximo governo com a estabilidade fiscal. A melhora no cenário macroeconômico, aliada à expectativa de corte da Selic, deve continuar beneficiando setores de consumo e de menor capitalização, reforçando o potencial de alta do índice.
Por outro lado, analistas reforçam que as eleições podem gerar volatilidade, tornando o ambiente de investimentos mais desafiador. A relação entre dívida e PIB, que pode chegar a 83,6% em 2026, e os desafios de consolidar a política fiscal permanecem como pontos de atenção do mercado, que acompanha de perto os sinais de reformas e responsabilidade fiscal dos candidatos.
Para mais detalhes sobre o cenário econômico e as projeções para o Ibovespa, acesse a matéria completa no GLOBO.


