Brasil, 15 de janeiro de 2026
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Governador Tarcísio busca apoio no STF para prisão domiciliar de Bolsonaro

Em um movimento que revela sua intenção de manter laços com seu padrinho político, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem conversado com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para pleitear a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Esta solicitação foi oficializada pela defesa de Bolsonaro, e sua análise ficará a cargo do ministro Alexandre de Moraes, que já havia negado pedidos similares anteriormente.

Articulação política em meio a pressões jurídicas

Três fontes próximas ao governador confirmaram ao GLOBO que Tarcísio fez telefonemas a pelo menos quatro ministros do STF na última quarta-feira para discutir o pedido apresentado na terça-feira. Durante essas conversas, ele destacou a deterioração da saúde de Bolsonaro, mencionando uma queda recente que resultou em um traumatismo craniano leve, embora os médicos tenham minimizado a gravidade da lesão.

De acordo com os laudos médicos apresentados pela defesa, Tarcísio defendeu que a cela onde Bolsonaro está detido na superintendência da Polícia Federal apresenta limitações que colocam o ex-presidente em uma posição de vulnerabilidade. Esse argumento foi utilizado pelos advogados na defesa, reforçando a tentativa de justificar a mudança de regime para prisão domiciliar.

A disputa pelo espaço político da direita brasileira

A articulação do governador ocorre em um momento delicado, em que o bolsonarismo busca não apenas facilitar a situação jurídica de Bolsonaro, mas também gerenciar a rivalidade interna em torno da organização do campo da direita para as eleições de 2026. Tarcísio, que frequentemente reafirma sua candidatura à reeleição em São Paulo, está sendo visto como uma figura central nas negociações e estratégias políticas que envolvem a herança política do ex-presidente.

No cenário atual, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) se lançando como pré-candidato, o comportamento de Tarcísio é analisado sob uma perspectiva eleitoral. Embora ainda não tenha se engajado publicamente na campanha de Flávio, ele continua sendo considerado uma opção viável por diversos segmentos da direita, que o veem como um “candidato natural”.

Tensões internas e o papel de Michelle Bolsonaro

Nos bastidores, as manobras em torno do STF têm gerado tensões entre os bolsonaristas, após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicar um vídeo com Tarcísio em suas redes sociais. Essa postagem foi interpretada como uma sinalização política, intensificando as especulações sobre o papel do governador nas eleições de 2026 e incomodando aliados de Flávio, que buscam afirmar sua posição como o legítimo herdeiro político de Jair Bolsonaro.

Além disso, comentários feitos por Cristiane Freitas, esposa de Tarcísio, sugerindo que “o Brasil precisa de um novo CEO”, também foram compartilhados e curtidos por Michelle, gerando ainda mais inquietação entre os bolsonaristas. A ex-primeira-dama tentou conter a crise, alegando que tais postagens não indicavam uma expectativa do grupo de apoiar Tarcísio como candidato presidencial.

A busca pela união do campo conservador

Em resposta a essa situação tensa, Flávio Bolsonaro, após visitar o pai, adotou um discurso de unidade, afirmando que não pretende pressionar publicamente as lideranças a aderirem à sua campanha. Ele enfatizou que o foco deve ser a união do campo conservador contra a esquerda, relembrando que o verdadeiro adversário se encontra do lado oposto do espectro político.

“Estou fazendo minha parte, que é pregar a união. Nosso adversário não está dentro da direita, está na esquerda. Neste governo que faz o povo sofrer com a segurança pública”, declarou Flávio, almejando consolidar seu protagonismo em um momento de fragmentação nas fileiras de seu grupo político.

Desafios em um cenário político dividido

Apesar da retórica de união, aliados reconhecem que a coesão política entre os membros do bolsonarismo ainda é frágil. As divisões persistem, especialmente sobre quem deve ocupar o espaço político nas próximas eleições. Além de Tarcísio e Flávio, outros governadores, como Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Romeu Zema, também figuram como potenciais candidatos, complicando ainda mais o cenário político para 2026.

Diante desse contexto, fica evidente que a articulação em torno do pedido de prisão domiciliar é apenas uma faceta de um jogo político muito mais complexo, em que lealdades, rivalidades e ambições pessoais se entrelaçam no mapeamento do futuro do bolsonarismo no Brasil.

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