O recente anúncio de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi escolhido como pré-candidato à presidência da República já está provocando um efeito dominó no cenário político nacional. A decisão promete influenciar fortemente as estratégias de diversos partidos, especialmente aqueles que fazem parte da chamada base do Centrão. Se essa candidatura se concretizar, é possível que a dinâmica das alianças estaduais sofra mudanças significativas.
A reação dos partidos do Centrão
Nos bastidores, a escolha de Flávio causa certo estranhamento entre os líderes do Centrão. Uma indicação clara disso é a posição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que inicialmente era considerado uma alternativa forte, mas agora demonstra um apoio morno ao senador. Em uma movimentação nas redes sociais, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tentou reforçar essa aliança, mas o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que não irá desistir de sua pré-candidatura para se tornar vice de Flávio.
Inicialmente, havia negociações que buscavam agregar alianças com líderes que estão afastados da direita, como Eduardo Paes, prefeito do Rio, que também deve concorrer ao governo. Todavia, a mudança de candidatura trouxe incerteza sobre as intenções dos partidos em fortalecer o bolsonarismo.
Consequências para o cenário estadual
De acordo com observadores do mercado político, o ex-prefeito ACM Neto, do União Brasil, que tem um dos principais colégios eleitorais da Bahia, já demonstra resiliência em relação à candidatura de Flávio. O temor de que a associação ao senador possa trazer a repercussão negativa da popularidade de Jair Bolsonaro está na mente de muitos líderes. Eles temem que a candidatura de Flávio acabe refletindo a rejeição que o ex-presidente enfrentou nas urnas, dificultando o posicionamento de governadores da centro-direita.
As dificuldades não param por aí. Partidos como o PP e o União Brasil, que estão em conversas para uma federação, também são relutantes em oferecer apoio a Flávio Bolsonaro. Esse desinteresse se estende a estados como Pernambuco, Ceará e Maranhão, onde candidatos locais como Raquel Lyra e Ciro Gomes se mostram mais atraentes para os aliados do Centrão.
Pesquisas refletem um cenário de incertezas
Embora a mais recente pesquisa da Quaest tenha mostrado um leve impulso para Flávio, com ele alcançando 23% das intenções de voto contra 36% de Lula, a resistência entre os líderes partidários é palpável. Muitos presidentes de partido afirmam que ainda é cedo para avaliar o potencial eleitoral do senador. Existe uma constante expectativa sobre como a sua candidatura pode ser vista pelo eleitorado, especialmente na Região Nordeste, onde Flávio ainda é visto com desconfiança.
A situação se complica ainda mais com a candidatura de Ratinho Júnior, do Paraná, que surge como uma alternativa viável, permitindo aos partidos reconsiderarem suas alianças. Flávio precisará, portanto, demonstrar viabilidade política em um mundo onde a neutralidade parece estar se tornando a escolha preferida da centro-direita.
A necessidade de construir alianças
No final das contas, Flávio Bolsonaro enfrenta um duplo desafio: além de contornar as tensões dentro de seu próprio partido e de seus aliados, ele precisará conquistar o eleitorado que ainda o vê com ceticismo. O senador precisa articular uma campanha sólida que possa unir as diversas facções dentro do seu partido e também conquistar o apoio de setores ainda hesitantes frente à sua candidatura.
Assim, as movimentações políticas devem continuar a se intensificar nos próximos meses. Resta ver se Flávio conseguirá não apenas assegurar um apoio significativo de sua base, mas também se apresentará como uma alternativa viável frente a um cenário onde os eleitores podem se mostrar relutantes em embarcar em um projeto baseado na figura de um familiar do ex-presidente polêmico.


