Brasil, 15 de janeiro de 2026
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Diminuição da presença das baianas na Lavagem do Bonfim preocupa associação

A Lavagem do Bonfim, uma das tradições mais emblemáticas de Salvador, ocorre anualmente e atrai milhares de devotos e curiosos. No entanto, neste ano, a festa, marcada pelo cortejo das baianas, perdeu muito de sua essência. A diminuição significativa do número de baianas vestidas com as tradicionais saias brancas e turbantes, que antes iam em torno de 600, caiu para apenas 80 participantes, segundo a Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares (Abam).

O impacto da redução na tradição

Nascida da resistência das pessoas negras escravizadas no Brasil, a participação das baianas representa uma rica demonstração de fé e cultura. O cortejo que leva as baianas da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia até a Basílica do Senhor do Bonfim é um marco da festa, mas, nas últimas décadas, essa tradição se enfraqueceu. Rita Santos, coordenadora da Abam, destaca que a diminuição está relacionada a uma falta de apoio institucional e à ausência de ações públicas para manter essa tradição viva.

Em tempos passados, a associação recebia subsídios da Prefeitura de Salvador para cobrir os custos com materiais essenciais para a festa, como jarras, água de cheiro e flores. No entanto, esse suporte foi cortado em 2012, deixando as baianas sem recursos financeiros para se manterem presentes no evento. “Não podemos colocar as baianas sem pagar nada, pois é muito caro”, lamenta Rita Santos, ressaltando que todas as integrantes da Abam atuam de forma voluntária e sem a garantia de recursos para cobrir despesas básicas.

A luta pela salvaguarda cultural

Embora a Abam tenha sido reconhecida como Patrimônio Imaterial do Brasil, não há investimento contínuo para sustentar as tradições que essas mulheres representam. “Ninguém colabora com um centavo”, critica Rita, enfatizando que a falta de apoio financeiro tem comprometido a presença das baianas na festa. Além disso, a inércia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em elaborar o plano de salvaguarda para o ofício das baianas é vista como uma ameaça à continuidade dessa manifestação cultural.

Rita relembra que há dez anos a Lavagem do Bonfim foi oficializada como patrimônio, mas a quantidade de baianas que participa anualmente caiu drasticamente. O plano de salvaguarda é essencial para garantir que ações de curto, médio e longo prazo sejam implementadas para proteger e valorizar essa tradição. No entanto, tanto a falta de financiamento quanto a resistência de órgãos governamentais resultaram em um cenário alarmante.

Parcerias e iniciativas para a manutenção da tradição

Em meio às dificuldades, a Igreja Católica, que sedia a festa, tem buscado alternativas para apoiar as baianas. Segundo o padre Edson Menezes da Silva, reitor da Basílica do Senhor do Bonfim, a igreja contribuiu com parte dos custos em 2024 e 2025, mas as despesas totais não podem ser assumidas pela instituição. “Gostaríamos de ajudar mais, mas a responsabilidade não pode recair totalmente sobre nós”, afirmou.

Padre Edson também mencionou várias iniciativas que ele tem promovido para manter a tradição viva, incluindo procissões especiais e datas comemorativas que incentivam a participação da comunidade, reforçando a conexão entre as tradições afro-brasileiras e a Igreja Católica.

A importância do legado cultural

A coordenadora da Abam, Rita Santos, destaca que a luta pela manutenção da presença das baianas vai além do evento em si; trata-se de preservar a identidade e a história das mulheres negras no Brasil. “Temos a responsabilidade de manter essa tradição viva, honrando o legado deixado por nossos antepassados”, conclui. Com a diminuição da participação das baianas na Lavagem do Bonfim, a urgência por abordagens efetivas de conservação e valorização torna-se cada vez mais evidente.

A falta de apoio governamental e a instabilidade financeira colocam em risco uma das mais importantes expressões culturais do Brasil. Com a queda na quantidade de baianas participativas, a Lavagem do Bonfim enfrenta um futuro incerto que deve ser abordado com responsabilidade e urgência.

Finalizando, o contexto atual clama por um compromisso coletivo para revitalizar e preservar não apenas a Lavagem do Bonfim, mas também outras tradições que são fundamentais para a identidade nacional. As baianas, com seu legado de resistência e fé, são uma parte vital do que significa ser brasileiro.

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