Brasil, 15 de janeiro de 2026
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Arcebispo de Bangui pede paz e autocrítica após reeleição de presidente

A República Centro-Africana (RCA), marcada por conflitos e instabilidade, aguarda mudanças significativas após a recente reeleição do Presidente Faustin-Archange Touadéra, que obteve 76,15% dos votos. Dom Dieudonné Nzapalainga, Arcebispo de Bangui, clama por paz e pede que as autoridades adotem medidas concretas para melhorar a vida da população, que tanto tem sofrido.

Um desejo de mudança

Em suas declarações, Dom Nzapalainga expressou a esperança de que as autoridades não repitam os erros do passado. “Ouvimos todo tipo de coisas durante a propaganda. Agora, precisamos de traduzir isto num projeto social,” afirmou. Essas palavras ecoam em um país que clama por paz, justiça e estabilidade após anos de crise.

Apesar de ter sido reeleito em meio a protestos que alegam fraude eleitoral, a presença de Touadéra à frente do governo traz um novo ciclo de expectativas. Os resultados definitivos da eleição, realizada no último dia 28 de dezembro, serão divulgados pelo Conselho Constitucional no próximo dia 20 de janeiro. Essa incerteza eleitoral é apenas mais um capítulo na história tumultuada da RCA.

O papel das autoridades

Dom Nzapalainga pediu que o governo realize uma autocrítica, avaliando o que foi feito até agora e o que ainda precisa ser feito. “Não se pode continuar a dizer que está tudo bem quando as pessoas têm outras preocupações,” sublinhou. O arcebispo também destacou a importância de entender as demandas da população, reforçando que a paz se constrói por meio do diálogo e da colaboração entre lideranças e cidadãos.

Corrupção e desafios econômicos

Um dos principais entraves no caminho da paz é a corrupção, um tema recorrente em conversas no país. A Conferência Episcopal Centro-Africana, em uma recente assembleia plenária, denunciou o “abuso de poder e a corrupção” como inimigos que precisam ser erradicados. O arcebispo enfatizou que a exploração dos recursos naturais, como ouro e diamantes, deve trazer benefícios diretos para a população e não enriquecer apenas um pequeno grupo no poder.

A situação econômica é crítica, com as infraestruturas básicas do país – estradas, hospitais e escolas – em condições precárias. “As estradas não estão a ser construídas, os hospitais são por vezes insuficientes e as escolas também são inadequadas,” lamentou o Cardeal Nzapalainga, alertando para a necessidade urgente de ação governamental.

Atos de violência e insegurança

A crescente violência tem gerado insegurança em várias regiões da RCA. Conflitos recentes entre o exército e a milícia AAKG no sudeste do país ressaltam a fragilidade da situação. Enquanto o clima de violência se persistir, a estabilidade do país permanece incerta. O arcebispo relatou sobre suas tentativas de se encontrar com a população em áreas afetadas, enfatizando a importância de promover a paz e desencorajar a violência.

O acolhimento da Igreja como refúgio

Em meio a essa crise, a Igreja Católica tem desempenhado um papel vital ao acolher aqueles que buscam refugiar-se da violência. “A Igreja sempre foi como uma mãe. Uma mãe não rejeita os seus filhos,” explicou Dom Nzapalainga. A missão católica está se organizando para ajudar os deslocados, oferecendo abrigo e assistência, embora enfrente desafios logísticos devido à insegurança e às más condições das estradas.

O cardeal ressaltou a solidariedade entre as diferentes comunidades religiosas na RCA: “Viajámos até lá e reunimo-nos com os padres. O bispo mobilizou fundos para que a Cáritas possa enfrentar estas dificuldades e prestar assistência.” A Igreja, portanto, continua a fazer o que pode, mas lida com um volume de necessidades que vai muito além de suas capacidades.

Um apelo à esperança e unidade

O povo centro-africano, que já padeceu muito, agora anseia por um futuro de paz e reconstrução. “Quem diz paz diz também construirmos juntos um país,” afirmou o Arcebispo de Bangui. Ele conclui com um apelo à colaboração entre o governo e a população, indicando que somente assim se poderá finalmente traçar uma nova história para a República Centro-Africana.

Em um contexto onde a esperança parece escassa, as palavras de Dom Nzapalainga ressoam como um convite à responsabilidade e à ação conjunta, necessárias para enfrentar os desafios e construir um futuro melhor para todos os centro-africanos.

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