A Corte de Cassação do Vaticano autorizou o andamento da fase de apelação do processo envolvendo fundos da Secretaria de Estado e um investimento imobiliário de luxo em Londres, após rejeitar recursos judiciais de última hora e aceitar a recusa do promotor de justiça Alessandro Diddi de participar do caso.
Decisões da Corte de Cassação sobre o caso
Na decisão, a corte romana confirmou que a apelação continuará sem a participação de Diddi, que decidiu se afastar do processo. Além disso, o tribunal manteve a sentença anterior, de que a promotoria não seguiu os trâmites legais ao protocolar seu recurso, o que levou à sua inadmissibilidade. Como consequência, o foco do processo será nas apelações da defesa, a fim de possíveis reduções de penas ou até absolvições.
A retomada do julgamento de apelação está prevista para o dia 3 de fevereiro, em um momento de maior transparência na Justiça vaticana, sob o novo Papa Leo XIV, que tem sinalizado maior autonomia do sistema judicial do Vaticano.
Contexto do caso e decisões anteriores
O processo surge da análise de gestão financeira da Santa Sé relacionada à aquisição de um imóvel de luxo na Sloane Avenue, em Londres. Os promotores alegaram que intermediários trabalharam para desviar recursos do Vaticano, enquanto a primeira condenação de um cardeal, Angelo Becciu, resultou em cinco anos e seis meses de prisão por corrupção, em uma sentença de primeira instância. Outros réus receberam penas que variaram de três a sete anos de cadeia.
O episódio ocorre num cenário de mudanças no Vaticano após a morte de Papa Francisco e a eleição de Leo XIV, que demonstrou intenções de permitir que processos de Justiça sigam normalmente, sem interferências papais.
Esta notícia foi primeiramente publicada pela ACI Stampa, parceira didática da CNA. A reportagem foi adaptada para português e atualizada para esta matéria.


