Durante o colapso do Banco Master, uma relação de proximidade entre o empresário Nelson Tanure e o banco de Daniel Vorcaro veio à tona após a Polícia Federal realizar uma operação nesta quarta-feira. A investigação aprofundada revelou um vínculo estreito, anteriormente pouco divulgado, entre os dois grupos de negócios.
Operações financeiras e conexões societárias
A lista de transações entre Tanure e o Banco Master é extensa, gerando especulações de que o empresário teria controle oculto do banco, supostamente por meio de uma debênture conversível. Essa suspeita foi formalizada pela gestora Esh, que trava uma disputa com Tanure na CVM e na Justiça, argumentando que há aproximações societárias que não foram oficialmente comprovadas.
Em entrevista ao site Pipeline, em janeiro de 2023, Daniel Vorcaro afirmou que a relação com Tanure é de parceria comercial, sem participação societária direta. “Não há segredo sobre termos de investimentos conjuntos; ele é um grande parceiro”, declarou.
Investimentos compartilhados e negócios em comum
Entre os exemplos de negócios que demonstram a proximidade, estão a participação na Alliar, estruturada por Tanure, além de operações envolvendo a empresa de energia Emae, com recursos obtidos também por meio do Banco Master. Além disso, fundos da gestora WNT, ligada a Tanure, foram utilizados por ambos os grupos em várias operações, alimentando rumores de uma possível sigla interna que brincava com “Wealth Nelson Tanure”.
Implicações na investigação da CVM
A CVM concluiu que fundos ligados ao Master e a Nelson Tanure atuaram em conluio com o fundador da Ambipar para inflar artificialmente o valor de mercado da companhia, cujo salto chegou a mais de 800% em três meses. Essa operação facilitou a aquisição da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), adquirida por Tanure com recursos da operação e posteriormente vendida à Sabesp, por meio da XP.
Outros negócios e ações do empresário
Além disso, Tanure e Vorcaro também tinham participação na Gafisa e na Light, acionistas de referência em empresas como a concessionária de energia do Rio de Janeiro. Outros ativos, como o Hotel Fasano Itaim, também foram adquiridos por Tanure em negócios relacionados ao grupo Gafisa.
A investigação detalha ainda uma ligação com a PrimeYou, de compartilhamento de ativos de luxo, na qual Tanure tinha 10% antes de seus negócios serem alvo de investigação judicial. Além disso, a defesa do empresário solicitou ao STF que o caso de uso de informação privilegiada fosse remetido ao tribunal superior, reforçando a complexidade das conexões entre os envolvidos.
Investigação e aspectos legais
Durante o inquérito policial, as autoridades solicitaram buscas e quebras de sigilo de Vorcaro e Maurício Quadrado, acionistas do Master. Os advogados de Tanure afirmam que os fatos investigados incluem membros do grupo, como Vorcaro, e gestoras relacionadas à operação, mostrando o grau de envolvimento financeiro e societário que está sendo analisado.
A situação continua em aberto, com a Polícia Federal e órgãos reguladores aprofundando as apurações sobre o impacto desses vínculos no colapso do Banco Master e na influência de Tanure no mercado financeiro.
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