Brasil, 14 de janeiro de 2026
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Paracoccidioidomicose: custo de R$ 25 milhões ao SUS entre 2017 e 2025

Entre 2017 e agosto de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) desembolsou R$ 25,5 milhões para tratar pacientes internados com paracoccidioidomicose (PCM), a infecção fúngica sistêmica mais letal do Brasil. Embora seja uma condição pouco conhecida, a doença avança silenciosamente pelo país, impactando a saúde pública e os recursos financeiros destinados ao tratamento.

A gravidade da paracoccidioidomicose

Recentemente, o Metrópoles publicou uma reportagem especial com dados inédis sobre a PCM, frequentemente negligenciada nas políticas públicas de saúde. O valor total gasto — R$ 25.599.969,13 — refere-se a custos hospitalares diretos pagos pelo SUS, englobando diárias hospitalares, procedimentos médicos e medicamentos utilizados durante as internações. Tais dados, provenientes do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), foram obtidos pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI).

Embora considerada uma doença “rara”, a paracoccidioidomicose tem gerado internações contínuas nos últimos anos, causando um impacto financeiro significativo no sistema público de saúde.

Sintomas da PCM e sua prevalência

Os sintomas da paracoccidioidomicose podem variar, mas incluem:

  • Feridas na pele;
  • Gânglios no pescoço ou na virilha;
  • Tosse;
  • Falta de ar;
  • Feridas na boca ou na garganta;
  • Lesões nos olhos;
  • Emagrecimento;
  • Lesões nos ossos;
  • Feridas próximas aos dentes;
  • Fígado aumentado;
  • Baço aumentado.

De acordo com os dados do SIH/SUS, a PCM é uma demanda permanente por leitos hospitalares, especialmente em estados com áreas rurais e uma intensa atividade agrícola. As internações têm se repetido regularmente, com registros de hospitalizações ocorrendo em todos os meses de janeiro de 2017 a agosto de 2025.

Nesse período, 26 estados e o Distrito Federal registraram ao menos uma internação pela doença, evidenciando uma dispersão geográfica sem precedentes.

Impacto econômico e geográfico

As internações associadas à PCM ultrapassaram 2.424 hospitalizações em todo o país. A concentração de internações e, portanto, de custos, é expressiva em alguns estados:

São Paulo (SP): 770 internações
Minas Gerais (MG): 222 internações
Rondônia (RO): 131 internações
Rio de Janeiro (RJ): 124 internações
Paraná (PR): 103 internações
Goiás (GO): 78 internações

Particularmente, São Paulo responde por mais de 50% do gasto nacional, o que é respaldado pelo elevado número de casos e pela recente inclusão da doença na lista estadual de notificação compulsória. Estados como Rondônia e Paraná destacam-se por seus altos custos individuais nas internações, refletindo a gravidade clínica observada. Dados mostram que, em janeiro de 2022, uma internação em Rondônia custou ao SUS R$ 46,3 mil.

A gravidade das formas clínicas

A predominância de formas clínicas graves da paracoccidioidomicose é um dos fatores que explicam a pressão sobre o sistema de saúde. As formas pulmonar e disseminada, sendo a última uma condição em que a infecção afeta múltiplos órgãos, representam 53,6% das internações registradas. Foram 486 internações pela forma pulmonar e 426 pela forma disseminada.

“O mais comum é os pacientes chegarem com sequelas pulmonares graves, que podem evoluir rapidamente para fibrose pulmonar, levando-os a incapacitação e aposentadoria precoce”, afirma Luciano Corrêa Ribeiro, professor de Infectologia do Hospital Universitário Júlio Müller (MT).

Desafios na detecção e políticas públicas

O fungo causador da PCM reside no solo e não é visível a olho nu. A infecção ocorre quando a terra é revolvida, liberando esporos que podem ser inalados. O Brasil ostenta a maior taxa de incidência da doença no mundo, com cerca de quatro casos a cada 100 mil habitantes, e uma taxa de mortalidade de 1,5 por milhão.

A subnotificação da doença amplifica o problema, uma vez que a PCM não é parte da Lista Nacional de Notificação Compulsória. Apenas sete estados praticam testes diagnósticos para a doença, dificultando a formulação de políticas públicas eficazes. A falta de padronização nas práticas de diagnóstico e tratamento contribui para a subestimação da magnitude da PCM.

Como apontado por especialistas, uma detecção precoce poderia levar a tratamentos mais eficaces, contribuindo para a melhora nos resultados e na adesão ao tratamento.

Essas informações evidenciam a urgência em abordar a paracoccidioidomicose com a seriedade que a condição requer, a fim de garantir melhores cuidados aos pacientes e a sustentabilidade do sistema de saúde pública no Brasil.

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