Brasil, 15 de janeiro de 2026
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Novo censo de pessoas em situação de rua no Rio aponta 8 mil sem-teto

Um novo censo realizado pela prefeitura do Rio de Janeiro em 2024 revelou que cerca de 8.195 pessoas estão em situação de rua na cidade. Este número representa um aumento de 4,2% em relação ao censo anterior, realizado em 2022. Os dados foram publicados no portal Data Rio, porém, não houve uma divulgação ampla e acessível ao público, já que a página principal do site ainda destacava o censo de 2022.

A invisibilidade da pesquisa

Surpreendentemente, a Secretaria Municipal de Assistência Social, que enfrentou uma queda de R$ 7 milhões em seu orçamento e registra o menor valor dos últimos dez anos, não apresentou qualquer menção ao estudo em suas comunicações oficiais. Isso levanta preocupações sobre a visibilidade e a priorização da questão das pessoas em situação de rua no planejamento da cidade.

De acordo com os dados do censo de 2024, das mais de 8 mil pessoas sem-teto, aproximadamente 2.438 estão abrigadas em instituições de acolhimento. Em contraste, um levantamento conduzido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com dados referentes a 2025, estimou que o total de pessoas em situação de rua atinge 23.431, quase o triplo do que foi contabilizado pela prefeitura do Rio. Este estudo se baseia no Cadastro Único (CadÚnico), um registro do governo federal destinado a políticas sociais.

Distribuição geográfica das pessoas em situação de rua

O censo de 2024 apontou que o Centro do Rio é a área onde mais pessoas foram abordadas, totalizando 1.330 indivíduos. As demais áreas com maior concentração de moradores de rua incluem:

  • Botafogo: 495
  • Copacabana: 359
  • Méier: 306
  • Ramos: 287
  • Bangu: 239
  • Jacarepaguá: 231

Perfil demográfico e causas da situação

O censo revela que a maior parte dos entrevistados é do sexo masculino (82%), e que mais de 70% estão na faixa etária entre 18 e 49 anos. Além disso, 83% se autodeclararam pretos ou pardos. O nível educacional é um ponto preocupante: 60% afirmaram ter apenas o ensino fundamental incompleto, enquanto 10% não sabiam ler um bilhete simples.

Quando questionados sobre os motivos que os levaram a dormir nas ruas, 36% citaram conflitos familiares como a principal causa, seguidos por alcoolismo ou uso de drogas (23%). A pesquisa também abordou o que essas pessoas precisam para abandonar as ruas; 36% mencionaram a necessidade de um emprego, 17% pediram moradia e 10% citavam dinheiro.

Desafios enfrentados diariamente

Em relação à segurança alimentar, 45% dos entrevistados afirmaram depender de doações para se alimentar, enquanto 2% recorreram ao lixo em busca de comida. Além disso, mais de 30% relataram ter passado um dia inteiro sem comer nos últimos sete dias.

A resposta do poder público

Desde 2024, o Ministério Público Federal (MPF) tem solicitado informações sobre os dados do censo, mas os procuradores ainda não receberam retorno. Paralelamente, uma ação judicial foi proposta pelo MPF para intervenção urgente da Justiça Federal, alegando grave omissão do governo municipal na política voltada para a população em situação de rua.

Em resposta aos questionamentos, a prefeitura do Rio confirmou que os dados do censo de 2024 estão disponíveis no portal “Data Rio” desde 2 de janeiro. Contudo, não explicaram a demora na publicação dos dados, nem a falta de divulgação. Além disso, não forneceram respostas acerca da redução do orçamento da Secretaria de Assistência Social, afirmando apenas que todos os serviços e projetos foram mantidos ou até ampliados após planejamento e otimização de recursos.

Este novo censo revela a necessidade urgente de atenção e ação coordenada para enfrentar a crescente crise da população em situação de rua no Rio de Janeiro. As dificuldades enfrentadas por essas pessoas, desde a falta de abrigo até a insegurança alimentar, demandam respostas efetivas e rápidas do poder público, além da mobilização da sociedade civil para ajudar a alterar este cenário alarmante.

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