Brasil, 14 de janeiro de 2026
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Médico demitido em São Gonçalo após denúncia de racismo

Um caso de racismo durante um atendimento médico na rede pública de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, resultou na demissão de um profissional da saúde. A denúncia foi feita por uma paciente de 57 anos, que alegou ter sido alvo de comentários depreciativos e violação de privacidade durante uma consulta na Unidade de Saúde da Família Jardim Catarina. O incidente ocorreu na última quinta-feira, dia 8, e desencadeou uma onda de indignação na comunidade.

Histórico do ocorrido

A paciente compareceu à unidade acompanhada da filha para solicitar exames de rotina relacionados ao acompanhamento pós-bariátrica. Segundo relatos, a experiência que deveria ser uma mera consulta se transformou em um momento de constrangimento. Ao tentar fechar a porta do consultório – procedimento comum em atendimentos passados – a paciente foi repreendida e gritada pelo médico, que exigiu que a passagem permanecesse aberta.

Durante a conversa, quando a mulher explicou o motivo de sua visita, o médico fez um comentário ofensivo, questionando por que ela “não penteava o cabelo”, mesmo estando de férias. Esse episódio deixou a paciente se sentindo humilhada e desrespeitada.

Reações da paciente e da filha

A filha da paciente observou que o médico elevava a voz durante a consulta, a ponto de sua mãe ter que lidar com perguntas sobre sua vida sexual, o que só intensificou o desconforto. Além disso, uma funcionária da unidade que percebeu a situação entrou para sugerir que o médico atendesse com a porta fechada. Porém, o profissional voltou a fazer comentários depreciativos, desta vez comparando o cabelo da paciente com o da funcionária, que é negra.

A mulher, profundamente abalada, não apenas cancelou o pedido de exames, mas também saiu da unidade chorando e relatou uma crise de ansiedade ao chegar em casa. “Eu me senti humilhada. Cheguei em casa com a pressão alta e o coração disparado, chorando”, contou. Inclusive, no fim da consulta, o médico teria se desculpado dizendo: “Desculpa as brincadeiras.”

Demitido e investigado

Após a denúncia, a paciente e sua filha decidiram registrar uma ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Felizmente, a resposta foi imediata. A família informou que o médico foi demitido logo após a ocorrência, e a filha revelou que já havia outras reclamações contra ele, feitas por pacientes anteriores.

A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil emitiu uma nota afirmando que não compactua com casos de racismo e confirmou a exoneração do profissional. “O médico foi demitido e há outro médico atendendo na unidade,” afirmou o órgão em sua comunicação.

Importância do combate ao racismo na saúde

Este caso levanta uma questão importante sobre a necessidade de um ambiente de atendimento médico seguro e respeitoso. A discriminação racial não deve ter espaço em qualquer setor, especialmente na saúde, onde o respeito e a empatia são essenciais para garantir o bem-estar dos pacientes.

A Polícia Civil continua a investigar as circunstâncias do incidente, e diligências estão em andamento para assegurar que todas as denúncias sejam devidamente apuradas. O desfecho deste caso pode abrir portas para discussões mais amplas sobre a experiência de pacientes negros em serviços de saúde e sobre a adoção de medidas preventivas contra a discriminação.

Casos como esse não podem ser silenciados. A sociedade deve se unir para combater o racismo em todas as suas formas, assegurando que todos os cidadãos tenham acesso a atendimento médico digno e respeitoso.

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