Um funcionário de uma ONG que presta serviços para o Governo do Estado do Rio de Janeiro foi brutalmente torturado e assassinado por milicianos em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. O crime, que chocou a comunidade, ocorreu na última quarta-feira (14), e o corpo de Jonathan Batista foi exibido pelas ruas da favela, acentuando o clima de temor que já permeia a região.
Quem era Jonathan Batista?
Jonathan trabalhava há três anos no programa 60+ Reabilita, uma iniciativa voltada para a reabilitação de idosos. Conhecido por sua simpatia e bondade, ele era querido por diversos moradores da comunidade. Em depoimento ao Instituto Médico-Legal (IML), sua irmã descreveu Jonathan como uma pessoa caridosa e generosa, que era “o melhor tio que duas crianças poderiam ter”. “Ele era uma pessoa alegre, bondoso e prestativo”, lamentou ela.
Investigação do crime
A Delegacia de Homicídios informou que uma das linhas de investigação sugere que Jonathan foi assassinado por milicianos que suspeitavam dele ser usuário de drogas e manter contato com traficantes. A irmã da vítima também mencionou que o corpo apresentava sinais claros de tortura, relevando que “meu irmão estava amarrado e sofreu muito”.
Outra hipótese considerada pelos investigadores é que o assassinato de Jonathan pode ter sido uma maneira de atacar a Associação de Moradores de Rio das Pedras, onde ele prestava serviços. Sua irmã explicou que ele exercia funções tanto internamente, na área de reabilitação, quanto externamente, documentando as necessidades da comunidade.
A atuação das milícias em Rio das Pedras
Segundo informações da polícia, a morte de Jonathan foi realizada por quatro homens, entre eles Kauã de Oliveira Teles, um dos chefes da milícia local. Kauã assumiu o controle da organização criminosa após a prisão de seu irmão, Gerlan Anacleto de Oliveira, em 2023. Além dele, a região também é dominada por Taillon Barbosa, que atualmente se encontra preso.
A violência e o controle da milícia na região têm crescido assustadoramente. Recentemente, uma operação policial revelou um cemitério clandestino em Rio das Pedras, onde foram encontrados 14 corpos de possíveis vítimas da milícia, enterrados em covas rasas e sem identificação. O clima de terror aumentou após essa descoberta, levando a milicianos a intensificarem suas rondas pela comunidade. Moradores relataram que agora os criminosos exigem a senha de celulares para monitorar conversas e ligações.
A resposta do governo e os sentimentos da comunidade
Em resposta à crescente violência na área, o governo do estado anunciou planos de militarizar a região de Rio das Pedras nos próximos meses. Essa ação é uma exigência do Supremo Tribunal Federal através da ADPF 635, que demanda um plano para a reocupação de áreas dominadas pelo crime organizado. No entanto, muitos moradores ainda se sentem inseguros e desamparados diante dessa situação.
Com a voz embargada pela emoção, a irmã de Jonathan expressou sua tristeza diante da brutalidade no lugar onde seu irmão foi criado. “Ele era uma pessoa que você não via a maldade que está acontecendo no mundo. Mas, infelizmente, o lugar onde ele se encontrava morando é um lugar onde a maldade está em tudo”, ressaltou.
O assassinato de Jonathan Batista não apenas evidencia a violência crescente provocada por milícias, mas também destaca a necessidade urgente de ação governamental eficaz e a proteção dos cidadãos que vivem em áreas vulneráveis. À medida que a investigação avança, os moradores esperam que a memória de Jonathan inspire mudanças, garantindo que sua morte não tenha sido em vão.


