A recente viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, que tinha como objetivo reforçar a imagem da família na política internacional, acabou se revelando um tropeço monumental. Segundo relatos, o senador buscava uma fotografia com Marco Rubio, uma figura influente do Partido Republicano, mas teve que se contentar com encontros de menor relevância, como uma visita ao blogueiro Paulo Figueiredo.
A busca por influência política
O deslocamento de Flávio, também conhecido como “Zero Um”, foi pautado por suas aspirações de mostrar que a família Bolsonaro ainda mantém prestígio em Washington. Entretanto, a realidade foi dura. O único político que o recebeu foi o deputado Jim Jordan, uma figura extrema do Partido Republicano, o que demonstrou a fragilidade da sua influência atual.
Em anos anteriores, os filhos de Jair Bolsonaro tinham grandes esperanças de que uma intervenção de Donald Trump pudesse retirar o ex-presidente da prisão. Porém, esses planos foram por água abaixo quando o Supremo Tribunal Federal condenou o ex-presidente a 27 anos de reclusão. A aproximação de Trump com Lula e as recentes medidas econômicas resultaram em um isolamento político significativo para os Bolsonaro.
Reuniões “estratégicas” sem resultado
Ao retornar ao Brasil, Flávio tentou minimizar o impacto negativo de sua viagem. Durante uma visita ao capitão, ele alegou não ter se encontrado com Rubio porque não havia solicitado. “Seria uma honra me encontrar com ele, mas não pedi”, afirmou, em uma tentativa evidente de dissociar-se do fiasco. Ele mencionou ter participado de reuniões “estratégicas e reservadas”, mas curiosamente, não compartilhou detalhes a respeito.
Próximos passos incertos
Apesar do fiasco em solo americano, Flávio Bolsonaro não parece disposto a desistir de sua carreira política no exterior. Ele já anunciou uma nova viagem para Israel, onde visitará o governo de Benjamin Netanyahu, uma administração com inclinação extrema. Além disso, planeja se encontrar com políticos da ultradireita francesa, mostrando que ainda mantém a esperança de alavancar sua influência internacional. Essa turnê está sendo organizada pelo irmão Eduardo Bolsonaro, que recentemente teve seu mandato como deputado cassado devido ao abandono de serviço.
Dificuldades internas no Brasil
No cenário nacional, Flávio Bolsonaro também não está enfrentando tempos fáceis. No início da semana, duas notícias ruins tornaram-se evidentes: o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, declarou que não deseja ser seu vice nas próximas eleições, e a madrasta, Michelle Bolsonaro, manifestou preferência por apoiar a candidatura de Tarcísio de Freitas.
Desde que Flávio foi nomeado como sucessor de seu pai, o governador de São Paulo tem buscado evitar associações mais próximas com ele. Mesmo assim, Flávio se manteve otimista e garantiu que não está preocupado com o distanciamento político, afirmando que, em “momento certo”, Zema irá oferecer apoio mais explícito.
Reflexões sobre a realidade política
Esse cenário turbulento impõe a Flávio Bolsonaro um grande desafio: como restaurar seu prestígio tanto no exterior quanto no Brasil? O contexto atual mostra que suas tentativas de emular o poder de seu pai estão em franca desvantagem. Ele tentou abordar as frustrações em Washington com uma postura de desdém, mas a realidade política que se desenha diante dele é cheia de obstáculos. Com o tempo se mostrando um fator crítico, Flávio precisará repensar suas estratégias se realmente deseja ocupar um espaço relevante na política nacional e internacional.
À medida que o futuro se desenha, é incerto se a linha familiar de política conseguirá permanecer relevante ou se irá se perder em meio a desilusões e fracassos consecutivos. O que resta, por ora, são apenas incógnitas que Flávio e sua família precisarão enfrentar nos próximos meses.



