Na Cidade Santa, a Secretaria-Geral das Instituições Educacionais Cristãs manifestou forte desapreço às restrições impostas por Israel, que afetam diretamente os professores da Cisjordânia. As autoridades receberam críticas severas por essas “medidas arbitrárias”, que impactam negativamente tanto a vida educacional quanto a cívica dos estudantes palestinos. O Ministério da Educação palestino também se juntou ao protesto, descrevendo a ação como uma tentativa de minar a identidade palestina.
Cerca de 10 mil alunos afetados por greves
A situação é alarmante: cerca de 10.000 alunos matriculados em instituições de ensino cristão em Jerusalém não puderam retomar as aulas após as férias de Natal. Os diretores de 12 escolas privadas se uniram para realizar uma greve, protestando contra a decisão das autoridades israelenses que não renovaram as permissões de trabalho para 171 professores oriundos dos Territórios Palestinos. Esse movimento reflete a crescente insatisfação com a política educacional imposta por Israel.
Em um comunicado datado de 10 de janeiro, a Secretaria Geral das Instituições Educacionais Cristãs de Jerusalém expressou que “tais procedimentos só beneficiam aqueles que desejam prejudicar a vida educacional e pedagógica”. Essa declaração evidencia a preocupação com o bem-estar educacional dos alunos, que agora enfrentam uma nova realidade de incertezas.
Denúncias de restrições e pressões
De acordo com o Irmão Daoud Kassabry, diretor do Colégio dos Irmãos das Escolas Cristãs (La Salle), a problemática se agravou já no verão passado, quando algumas permissões foram renovadas apenas até 11 de janeiro do ano atual. Além disso, as recentes permissões não incluíam o sábado, um dia letivo importante para essas instituições.
A Fundação Terra Santa relata que o governo israelense alega que o currículo palestino fomenta incitação ao ódio, utilizando isso como justificativa para pressões sobre as escolas cristãs, na tentativa de forçá-las a adotar o currículo israelense. Essa mudança se torna condição para que as escolas recebam subsídios financeiros, enquanto enfrentam sérios desafios orçamentários devido às consequências da guerra.
Resposta do Ministério da Educação Palestino
O Ministério da Educação Palestino se manifestou em apoio ao protesto realizado pelas escolas cristãs. Em sua declaração, o ministério destacou que as medidas tomadas contra os professores e instituições palestinas são parte de um ataque sistemático ao sistema educacional da região. “Essas ações tentam minar a identidade palestina e o direito à educação, tudo em desacordo com as normas e convenções internacionais”, afirmaram representantes do ministério.
A resposta limitada das autoridades israelenses
Frente ao clamor das instituições educacionais, as autoridades israelenses decidiram prolongar algumas permissões, mas apenas por cinco dias, uma decisão que se mostra insuficiente e que não resolve o problema de fundo enfrentado pelas escolas cristãs. Essa atitude foi bem recebida por um curto período, mas rapidamente se tornou evidente que as soluções temporárias estão longe de sanar a crise educacional.
Desafios contínuos das escolas cristãs
Atualmente, as autoridades israelenses emitem autorizações temporárias para os palestinos da Cisjordânia, permitindo que trabalhem em território israelense, mas essas permissões estão sempre ligadas a um processo rigoroso de segurança e têm validade reduzida. Um projeto de lei que está sendo analisado pelo Knesset e que visa proibir a contratação de professores formados nos Territórios Palestinos acrescenta uma nova camada de tensão. Com mais de 60% dos educadores de Jerusalém possuindo essas credenciais, a situação se torna ainda mais crítica e as instituições enfrentam uma constante ameaça à sua operação.
A luta das escolas cristãs em Jerusalém é um reflexo das dificuldades que muitas instituições educacionais palestinas enfrentam atualmente. O futuro da educação na região depende não apenas da resolução dessa crise imediata, mas também da restauração do direito à educação e à liberdade de movimento, pilares fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade saudável e justa.




