À medida que o ex-presidente Donald Trump enfrenta críticas internas por uma investigação criminal do Departamento de Justiça contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, a divisão entre os republicanos se aprofunda. A ação ocorre em um momento delicado, próximo às eleições intermediárias de meio de mandato nos Estados Unidos, colocando em xeque o unitário esforço do partido.
Reação dos republicanos à investigação do DOJ sobre Powell
De acordo com fontes próximas ao Congresso, vários republicanos expressaram insatisfação com a decisão do DOJ de investigar Powell, especialmente por considerar que o caso não possui fundamentos claros. Alguns desafiaram diretamente a narrativa do governo, afirmando que a investigação é uma tentativa de politizar o Federal Reserve, uma instituição independente.
“Não precisamos de uma investigação desse tipo contra alguém que tem desempenhado seu papel de forma transparente”, declarou o senador Mike Johnson, representante de um dos estados mais influentes do partido. A posição oficial do partido ainda é de apoio à autonomia da política monetária, mesmo com fortes críticas à administração Trump por sua relação tumultuada com Powell.
Controvérsia e impacto político
A investigação em si foi desencadeada por uma solicitação de quiação de grandes jurados do Departamento de Justiça enviada ao Fed na última sexta-feira, relacionada a uma suposta mentira de Powell ao Congresso durante seu testemunho sobre a reforma do edifício sede do Fed.
Powell afirmou em mensagem de vídeo que a ação “é sem precedentes” e que sua motivação está vinculada ao que chamou de “ameaças e pressões contínuas” do governo Trump. Ele reforçou que a investigação não tem relação com o projeto de renovação, cujo valor, segundo o próprio, sempre foi comunicado ao Congresso.
Conflito com Trump e seu relacionamento com Powell
Embora tenha sido nomeado por Trump durante seu primeiro mandato, Powell mantém uma relação conturbada com o ex-presidente, que frequentemente o criticou publicamente. Trump chegou a pedir a sua demissão após advertências feitas pelo presidente do Fed sobre os efeitos das tarifas comerciais adotadas pelo governo.
Na reunião de julho, os dois tiveram um momento tenso ao discutir o orçamento da renovação do Fed, prejudicando ainda mais a relação entre eles. Trump afirmou que os custos haviam subido para US$ 3,1 bilhões, enquanto Powell negou esse valor na ocasião.
Reações do governo e futuro de Powell
O porta-voz da Casa Branca declarou que o presidente não ordenou a abertura da investigação, reforçando que cabe ao Departamento de Justiça atuar de forma independente. “Trump tem direito a criticar o Fed, mas não a dirigir uma investigação criminal”, argumentou Karoline Leavitt.
Com o mandato de Powell chegando ao fim em maio de 2026, a disputa sobre sua sucessão já começa a impactar o cenário político. Muitos republicanos questionam a ação do DOJ neste momento final e começam a pressionar por uma mudança na liderança do Fed após a saída de Powell.
A polarização gerada por essa situação revela a complexidade das relações entre o partido, o governo e as instituições financeiras no cenário político atual dos EUA, refletindo os riscos de uma intervenção política na política monetária, uma questão sensível em tempos de eleições.

