Nos últimos anos, o Brasil tem testemunhado um aumento significativo nas discussões sobre racismo estrutural, especialmente em ambientes de consumo. Um caso recente em Guarulhos, na Grande São Paulo, trouxe à tona a questão da ‘vigilância seletiva’ que atinge, de maneira desproporcional, corpos negros. O juiz Leonardo Prazeres Silva, da 5ª Vara Cível de Guarulhos, destacou a discriminação presente nesse tipo de abordagem em sua sentença.
O caso em questão
No incidente que gerou a polêmica, uma mulher negra foi acusada de furto por uma funcionária de uma farmácia, sem que houvesse qualquer evidencia concreta de que ela estivesse cometendo um crime. O relato destaca que a abordagem foi baseada unicamente na cor da pele da autora, evidenciando como a vigilância nas lojas muitas vezes se torna uma forma de discriminação racial. O juiz Silva, ao analisar o caso, asseverou que a ausência de provas de conduta ilícita, somada ao tratamento que a mulher recebeu, indica um viés discriminatório que pode ser tanto consciente quanto inconsciente.
Vigilância seletiva: um problema persistente
A vigilância seletiva é um fenômeno observado em diversas esferas da sociedade, mas ganha contornos ainda mais sérios quando analisado sob a ótica do racismo. Em ambientes de compras, muitos consumidores negros relatam experiências em que foram seguidos por segurança ou abordados de maneira hostil, enquanto outros clientes, em sua maioria brancos, não enfrentam essas situações. Esse comportamento reflete um pano de fundo social enraizado em preconceitos raciais que persistem na cultura brasileira.
Dados que sustentam a discussão
Estudos recentes indicam que pessoas negras no Brasil são mais propensas a serem abordadas pela polícia e seguranças em lojas devido a preconceitos raciais. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 70% dos brasileiros acreditam que a cor da pele influencia a forma como as pessoas são tratadas em ambientes públicos. Essa realidade gera um ciclo de desconfiança e marginalização que impacta diretamente a vida cotidiana de inúmeros cidadãos.
Repercussões legais e sociais
Em resposta a esse episódio, a farmácia foi condenada a pagar uma indenização de R$ 15 mil à mulher envolvida, um passo importante para reconhecer a dor causada pela discriminação racial. Juízes e advogados têm se empenhado em trazer à tona casos semelhantes, buscando fazer valer os direitos das vítimas. Essa decisão não apenas representa uma compensação financeira, mas também um chamado à responsabilidade das empresas em suas práticas de atendimento e segurança.
O papel das empresas e da sociedade
As empresas têm uma enorme responsabilidade de criar ambientes inclusivos para todos os seus clientes. Isso inclui a formação de funcionários para evitar abordagens discriminatórias e a implementação de políticas que promovam a diversidade e a equidade. Além disso, a sociedade civil deve permanecer atenta e exigir mais responsabilidade do setor privado, denunciando atitudes discriminatórias sempre que necessário.
A luta contínua contra o racismo
O racismo estrutural no Brasil continua a ser um desafio que exige ação e conscientização. A luta pela igualdade racial não é responsabilidade apenas de pessoas negras; deve ser uma missão coletiva, onde todos se unam contra a discriminação. O caso em Guarulhos é apenas um exemplo de muitos que ocorrem diariamente em nosso país e que ressalta a urgência de mudar mentalidades e práticas discriminatórias.
Considerações finais
À medida que o Brasil avança em sua luta contra o racismo, cada caso exposto traz à tona a necessidade de um diálogo aberto sobre preconceitos e a urgência de reparações sociais. Somente através da educação e da conscientização poderemos vencer a batalha contra o racismo estrutural e promover um ambiente mais justo para todos.
O caso de vigilância seletiva em Guarulhos é um lembrete da importância de continuarmos atentos e engajados na luta pela igualdade racial. Para aqueles que testemunham ou vivenciam situações de discriminação, é essencial buscar justiça e ajudar a moldar um futuro mais inclusivo.


