No último sábado, 10 de junho, o Brasil perdeu um dos seus maiores ícones da teledramaturgia: Manoel Carlos, conhecido carinhosamente como Maneco. Com uma carreira que marcou gerações, ele deixou um legado inestimável na televisão brasileira e, para homenageá-lo, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), anunciou um decreto no Diário Oficial desta terça-feira, 13 de junho, que determina que uma praça na Avenida Bartolomeu Mitre, entre as ruas Juquiá e Desembargador Alfredo Russel, receberá o nome do autor.
A vida e obra de Manoel Carlos
Nascido em 1933, em São Paulo, Manoel Carlos sempre se considerou carioca de coração e fez do Rio de Janeiro o cenário principal de suas histórias, com o Leblon como pano de fundo frequente. Suas novelas retratavam os encantos e as nuances do cotidiano carioca, revelando para o público não apenas as vidas de personagens fictícios, mas também a rica cultura e o estilo de vida dos moradores do bairro.
No último ano de sua vida, Manoel Carlos lutou contra a Doença de Parkinson, que afetou seu desenvolvimento motor e cognitivo. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde faleceu. Em diversas entrevistas, ele destacou sua profunda ligação com o Leblon e revelou sua perspectiva única sobre a criação de suas histórias.
Por que o Leblon?
Manoel Carlos era bastante direto ao explicar sua escolha pelo Leblon como cenário. “Por que o Leblon? Porque eu moro aqui, só por isso. Eu vivo aqui. E gosto daqui, claro.” Sua visão de que a localização de suas novelas não precisava ser representativa de todo o Brasil, mas sim um reflexo de suas experiências e convívio cotidiano, permitiu que suas tramas se tornassem verossímeis e, acima de tudo, autênticas.
Na opinião de Maneco, o importante era que suas histórias fossem relatadas de forma a ressoar com a realidade do público, e não necessariamente ter um caráter naturalista ou realista. “Eu não me preocupo tanto em que minha novela seja realista, me preocupo que as minhas histórias sejam verossímeis”, afirmou em uma de suas falas marcantes.
Personagens inspirados em pessoas reais
Um dos traços mais interessantes da obra de Manoel Carlos era que seus personagens muitas vezes eram inspirados em pessoas reais que faziam parte de sua vida. Ele chegava a dar o nome de conhecidos a alguns de seus personagens. “Nas bancas de jornais (das novelas), eu uso o nome do jornaleiro”, revelou, destacando como sua experiência pessoal influenciava na construção das narrativas que encantaram o Brasil.
Legado de Manoel Carlos
O legado deixado por Manoel Carlos na televisão brasileira é inegável. Suas novelas, como “Viver a Vida”, “Laços de Família” e “Por Amor”, entre outras, abordaram temas universais e profundos, como amor, família e superação, tocando e envolvendo milhões de telespectadores ao longo dos anos. O autor não apenas narrou histórias, mas também teve um papel ativo na formação de uma identidade cultural, levando os aspectos do cotidiano carioca para a tela da televisão.
Agora, com a nova praça em homenagem ao autor, sua memória será eternamente celebrada e lembrada por todos os que amam a arte da dramaturgia. O decreto de Eduardo Paes é um reconhecimento merecido da importância que Maneco teve na cultura brasileira e um tributo à sua vasta e tocante obra.
Manoel Carlos viverá para sempre na lembrança de todos aqueles que foram impactados por suas histórias e que se sentiram parte do mundo que ele criou.
