A Operação Overclean, realizada pela Polícia Federal (PF), avança para sua nona fase em uma investigação que busca desvios de emendas parlamentares e fraudes em licitações. Até agora, R$ 271,7 milhões foram bloqueados em três fases da operação, que ocorre em regime de sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).
O impacto da operação na política brasileira
Segundo as análises da PF, uma organização criminosa estaria envolvida na movimentação de aproximadamente R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas em diversos estados do Brasil. Este escândalo revela um esquema que pode ter repercussões significativas na estrutura política nacional.
Principais alvos da Operação Overclean
Em abril de 2025, a PF deflagrou uma fase crucial da operação, com mandados de busca e apreensão em cidades como Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju. Um dos principais alvos foi o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, que tem laços diretos com a executiva nacional do União Brasil. Na ocasião, Moura negou qualquer irregularidade.
De acordo com as investigações, Moura estaria atuando como articulador político do esquema, utilizando sua influência para liberar pagamentos e destravar contratos. Na mesma fase, o secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, foi afastado por suspeita de obstrução de Justiça. Barral é mais uma figura que teve seu nome vinculado a essa teia de corrupção, tendo sido indicado ao cargo em um contexto de aliança entre o PSD e o União Brasil.
O desdobramento das investigações
No ano passado, a terceira fase da Overclean resultou na apreensão de R$ 120,8 mil em espécie, além de itens luxuosos como joias e eletrônicos, na residência de Barral. As investigações revelaram uma relação próxima entre ele e Marcos Moura, que já havia sido preso, mas solto posteriormente.
Em junho, novas ações visaram liberar emendas parlamentares, resultando no afastamento de dois prefeitos da Bahia e na identificação de um assessor do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) como operador financeiro do esquema, alvo de mandado de busca e apreensão nesta terça-feira.
Circular de nomes e impactos pessoais
O nome do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA) foi citado nas investigações, o que resultou na remessa de parte do caso ao STF. Durante as buscas, a PF encontrou em um cofre de Moura documentos que comprovariam uma transação imobiliária envolvendo Elmar, que até o momento não foi alvo direto da operação e nega envolvimento em qualquer irregularidade.
Porém, a operação também atinge os familiares de Elmar. Seu irmão, Elmo Nascimento, prefeito de Campo Formoso (BA), foi um dos alvos das buscas realizadas em julho do ano passado, enquanto seu primo, Francisquinho Nascimento, vereador, tentava se livrar de R$ 220 mil que lançava pela janela momentos antes de ser capturado.
Continuidades na investigação
Em outubro do ano passado, Dal Barreto, deputado federal (União Brasil-BA), foi interceptado no aeroporto de Salvador, onde teve seu celular apreendido. O secretário nacional do Podemos, Luiz França, também foi apontado como alvo das investigações, que continuam a revelar a extensão do esquema de corrupção.
A Operação Overclean teve início após a apuração de desvios de recursos de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). A PF aponta que o esquema envolve lavagem de dinheiro, pagamento de propina e uso sistemático de influência política, abrangendo partidos do Centrão e famílias de parlamentares influentes no Brasil.
O desenrolar dessa operação é um reflexo da luta contínua contra a corrupção no país, evidenciando não apenas os desvios financeiros, mas também a teia de relações políticas que permitem esses atos ilícitos. A sociedade brasileira aguarda o prosseguimento das investigações e a responsabilização dos envolvidos, em um momento em que a transparência e a ética são mais necessárias do que nunca.


