Brasil, 13 de janeiro de 2026
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Operação contra Venezuela não reduzirá overdose nos EUA

Apesar da tentativa do governo Trump de justificar ações militares na Venezuela como uma luta contra o narcotráfico, especialistas afirmam que tais operações não terão efeito na redução das mortes por overdose nos EUA, onde o uso de fentanyl ilícito é a principal causa de óbitos entre jovens e adultos.

Operações militares e a crise de overdoses

Na campanha de agosto de 2025, o governo dos EUA mobilizou uma das maiores forças navais da história na região do Caribe, alegando combater uma suposta ameaça terrorista ligada ao narcotráfico na Venezuela. No entanto, as ações militares, incluindo o bombardeio de embarcações venezuelanas e a captura do presidente Nicolás Maduro, mantêm um foco na narrativa de combate ao narcoterrorismo, enquanto os principais fatores que alimentam a crise de overdoses permanecem inalterados.

Segundo especialistas, a maioria das drogas ilícitas que causam mortes nos EUA, especialmente o fentanyl, tem origem na China e no México, e não na Venezuela. A produção e o transporte por meio de portos controlados por outros grupos criminosos dificultam qualquer impacto direto de ações militares na Bolívia ou na Venezuela na qualidade e quantidade de opioides chegando aos Estados Unidos.

O desafio de reduzir overdoses

O número de mortes por overdose é o maior entre jovens de 18 a 44 anos, predominantemente causadas por fentanyl, uma droga sintética altamente potente. Dados da Centers for Disease Control and Prevention (CDC) indicam que, mesmo com esforços de repressão na oferta, a demanda por opioides ilícitos continua elevada. Assim, as ações de sistema de guerra às drogas, frequentemente, têm efeito paradoxal, aumentando os riscos para usuários em busca de drogas mais perigosas na ausência de tratamentos adequados.

Desinvestimento em programas de tratamento

Enquanto o governo Trump intensificava a narrativa de guerra às drogas na Venezuela, suas ações internas minavam os esforços de combate ao vício. O secretário de Saúde e Direitos Humanos, Robert F. Kennedy Jr, reduziu drasticamente o orçamento do Substance Abuse and Mental Health Services Administration (SAMHSA), com corte de quase US$ 2 bilhões na assistência relacionada ao tratamento de dependentes. Além disso, um possível fechamento do Instituto Nacional de Abuso de Drogas (NIDA) ameaça interromper pesquisas essenciais para entender e tratar a crise.

Os cortes, que ocorreram paralelamente ao anúncio de uma redução de 27% nas mortes por overdose em 2024, apontam uma contradição. Enquanto os dados sugerem que uma política de saúde pública pode estar funcionando, o governo federal diminui investimentos na prevenção e tratamento de vícios.

Impacto das políticas e perspectivas futuras

Especialistas alertam que medidas militares e o combate ao narcotráfico, sem um esforço coordenado na redução da demanda com programas de tratamento acessíveis, são insuficientes para conter a crise de overdose nos EUA. A estratégia do governo de associar Venezuela a uma ameaça narcoterrorista ignora os fatores complexos do consumo de drogas e coloca em risco a continuidade de avanços suaves no controle de mortes relacionadas ao opioide.

Apesar de sinais positivos na redução de mortes por opioides sintéticos, investigações apontam que cortes na saúde pública podem reverter ganhos conquistados nos últimos anos. Assim, a crise de overdoses permanece como uma problemática fundamental, que exige ações específicas de saúde, educação e assistência social, além de uma análise crítica das operações militares na América Central e do Sul.

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