Brasil, 13 de janeiro de 2026
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O dilema ideológico do eleitor brasileiro em 2026

À medida que se aproximam as eleições de 2026, o Brasil enfrenta um dilema ideológico que confunde tanto os eleitores quanto os analistas políticos. Recentemente, uma pesquisa Datafolha revelou que uma porcentagem significativa de eleitores que se identificam com os partidos tradicionais do país, como o PT e a chapa Bolsonaro, se autoclassificam em posições surpreendentes no espectro político. Essa discrepância levanta questões sobre como os brasileiros entendem os conceitos de direita e esquerda e reflete uma matriz de valores que pode influenciar suas escolhas nas urnas.

A confusão no espectro político

A pesquisa, divulgada no mês passado, indicou que 34% dos que se identificam como petistas se veem à direita, enquanto 14% dos bolsonaristas se consideram à esquerda. Tal constatação gera burburinho, especialmente em um contexto eleitoral onde a definição de ideologia pode ser a chave para o sucesso nas urnas. No entanto, é importante compreender os dados antes de tirar conclusões precipitadas. A maioria de ambos os grupos não demonstra o que parece ser uma contradição no seu posicionamento.

A metodologia da pesquisa

O entendimento das posições políticas dos brasileiros exige uma análise detalhada da metodologia de pesquisa utilizada. No caso do Datafolha, as escalas de autoclassificação foram empregadas, permitindo que os entrevistados se posicionassem em cinco pontos no espectro ideológico. O termo “petista” foi aplicado às classificações mais altas, enquanto “bolsonarista” recebia a designação das mais baixas na escala. A variabilidade nas respostas desperta a curiosidade sobre se os entrevistados realmente compreendiam os termos e sua aplicação.

Os desafios da autoclassificação

Uma preocupação surge ao se perceber a dissonância nas classificações, com o instituto utilizando “petista” em vez de “lulista.” Isso contribui para a confusão, especialmente quando se considera a recolocação da direita nos pontos mais altos da escala em uma pergunta relacionada ao espectro político. A diferença nas definições pode influenciar as respostas, o que gera distorções nos dados coletados e potenciais riscos de interpretação equivocada.

Ruídos e desigualdade de acesso à informação

Quando combinamos variáveis nominais com escalas ordinais, corre-se o risco de criar ruído nas perguntas, especialmente entre segmentos da população com menor escolaridade e acesso à informação. Ao longo do tempo, o Datafolha constatou que muitos brasileiros expressam confusão em relação ao que realmente significa ser de esquerda ou de direita. Respostas como “esquerda é tudo que é negativo” e “direita é o certo” evidenciam essa falta de clareza, refletindo a necessidade de um debate mais profundo sobre esses conceitos.

A evolução da autoclassificação ideológica

Estudos anteriores revelaram que a autoclassificação da posição ideológica no Brasil tem uma correlação com os resultados eleitorais. O cientista político André Singer, em pesquisa de 2021, destacou o padrão histórico da predominância da direita entre os brasileiros, que ganhou força com a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. O cenário político atual, portanto, é reflexo de uma evolução complexa nas percepções dos eleitores, que podem clamar por uma segurança ideológica em tempos de incerteza.

Valores e a influência sobre o voto

A matriz de valores dos eleitores brasileiros, marcada por crenças religiosas e a valorização da família, pode contribuir para que muitos optem por se autodenominar de direita mesmo ao se identificarem com ideais do PT. A resistência à legalização de drogas, apoio à redução da maioridade penal e a crença de que a criminalidade é fruto de maldade humana são alguns aspectos que podem motivar essa autoclassificação. Com o cenário político se intensificando em vista das eleições, é probable que os eleitores busquem alinhar suas crenças às suas escolhas políticas.

À medida que o Brasil se aprofunda em sua jornada política rumo a 2026, a complexidade da autoclassificação ideológica mostra-se mais relevante do que nunca. O dilema que envolve forças de esquerda e direita se acentua em um quadro repleto de incertezas, e compreender as raízes dessa confusão pode ser vital para entender o futuro do país nas urnas.

*Mauro Paulino é comentarista político, especialista em opinião pública e eleições.*

*Alessandro Janoni é diretor de pesquisas da consultoria Imagem Corporativa. Ambos foram diretores do Datafolha.*

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