Scott Adams, o controverso criador da tirinha “Dilbert”, faleceu aos 68 anos após lutar contra um câncer de próstata metastático. A notícia de sua morte foi anunciada pelo grupo “The Scott Adams School” (anteriormente conhecido como Coffee With Scott Adams) nesta terça-feira.
Scott Adams e sua trajetória controversa
Conhecido por suas declarações polêmicas, Adams começou a atrair atenção por seus escritos a favor de Donald Trump em 2015. Em seu podcast diário, ele recebia diversos convidados conservadores e fez declarações que levantaram controvérsias, como questionar o Holocausto e se opor à vacina contra COVID-19. Contudo, foi em fevereiro de 2023 que a situação tomou um rumo decisivo: a tirinha “Dilbert” foi retirada de jornais dos Estados Unidos após comentários que Adams fez em seu programa “Real Coffee with Scott Adams”, nos quais afirmou que pessoas negras eram um “grupo de ódio”.
O impacto da saúde na vida de Adams
Em maio de 2023, Adams revelou que estava lutando contra câncer. Durante um vídeo no dia em que o ex-presidente Joe Biden anunciou ter um tipo agressivo de câncer de próstata, Adams se identificou com a mesma condição, acrescentando que sua própria doença já havia se espalhado para seus ossos. “Eu espero sair deste domínio em breve”, afirmou, enquanto se despedia das suas atividades. Além de ter apoiado Trump em ambas as campanhas presidenciais, Adams expressou respeito por ele, mencionando as dificuldades que o ex-presidente enfrentava em relação à saúde: “A resposta para se vou melhorar é não, apenas vai piorar”, declarou.
Uma carreira marcada por inovações e controvérsias
Nascido em Windham, Nova York, em 1957, Adams começou a desenhar aos seis anos, inspirado por tirinhas como as de “Peanuts”. Formou-se em economia pela Hartwick College em 1979 e se mudou para a Califórnia para iniciar sua carreira em 1979. Durante sete anos, trabalhou em várias funções no Crocker National Bank, onde acumulou experiências que acabariam por inspirar a criação de “Dilbert”.
Em 1986, Adams obteve seu MBA na Universidade da Califórnia em Berkeley e começou a trabalhar na Pacific Bell. Foi durante esse período que ele criou “Dilbert”, uma tirinha que retratava a vida no ambiente corporativo e inspirada pelas interações com seus colegas de trabalho. Em 1994, a tirinha já era publicada em mais de 400 jornais e, em 1995, Adams deixou seu emprego para se dedicar exclusivamente ao cartum.
Reconhecimento e legado
Seu primeiro livro, “The Dilbert Principle”, foi publicado em 1996, e em 1997, ele recebeu o prêmio Reuben da National Cartoonists Society, reconhecendo-o como um dos melhores cartunistas do ano. A tirinha “Dilbert” foi adaptada para a televisão em 1999, na qual Adams atuou como produtor executivo; a série foi indicada a um Primetime Emmy em 1999.
Além dos quadrinhos, Adams escreveu obras sobre teologia, incluindo “The Religion War”, refletindo a diversidade de seus interesses além do humor. No aspecto pessoal, Adams casou-se com Shelly Miles em 2006, sendo padrasto dos filhos dela, Savannah e Justin, que infelizmente faleceu em 2018 devido a uma overdose de fentanil. O casamento acabou em divórcio em 2014, e após um breve noivado com Kristina Basham (com quem se casou em julho de 2020 e se divorciou em março de 2022), Adams continuou a ser uma figura pública polêmica até sua morte.
Scott Adams deixa um legado complexo, marcado por suas tirinhas bem-humoradas, mas também por suas ideias controversas, que agora serão lembradas tanto em sua obra quanto nas reações que despertou.


