Recentemente, moradores de Paulínia, no interior de São Paulo, expressaram suas preocupações em relação ao intenso mau cheiro proveniente da Estação de Tratamento de Esgoto da Vila Monte Alegre, que é operada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Além disso, um aterro sanitário que pertence a uma empresa privada também tem sido alvo de queixas. A situação se agravou e levou a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) a intervir, aplicando multas à Sabesp e exigindo que soluções sejam apresentadas para mitigar o problema.
A situação dos moradores
A comunidade, que abrange bairros como São Bento, Nova Paulínia e Morumbi, relata que o odor é forte e persistente. A farmacêutica Mirna Montanha é uma das afetadas pela situação. Ela conta que o cheiro impregna sua casa: “Tem que fechar tudo e, mesmo assim, continua entrando. É bem constrangedor, principalmente quando temos visitas”, desabafou.
Intervenções da Sabesp
Em resposta às reclamações, a Sabesp informou que está investindo R$ 54 milhões para a construção de uma nova estação de tratamento ao lado da atual. De acordo com a empresa, a nova estrutura será coberta e, assim, ajudará a minimizar os odores que atingem a população. Entretanto, muitos moradores permanecem céticos em relação à eficácia dessas intervenções.
Aterro sanitário como foco de insatisfação
Além da estação de tratamento, os moradores também expressam preocupações com o aterro sanitário privado nas proximidades. O engenheiro Fernando Britto relatou que a situação se agrava especialmente durante a queima dos gases gerados pelo armazenamento de resíduos: “No começo da manhã, quando o vento começa a ficar mais forte, todos esses gases vêm para dentro do bairro, e somos forçados a conviver com esse odor forte, que é muito característico de lixão e de decomposição”, descreveu.
Posicionamento das autoridades e empresas
A Prefeitura de Paulínia informou que a responsabilidade pela questão é da CETESB e que a agência responsável fará uma nova vistoria no local. Se forem detectados odores que ultrapassem os padrões regulamentares, medidas corretivas serão adotadas. A Sabesp também reiterou seu compromisso com o monitoramento e a implementação de melhorias operacionais para reduzir a percepção de odores na região.
A Ecoparque, empresa responsável pelo aterro, alegou que não há mau cheiro nas instalações e que está em conformidade com todas as licenças ambientais necessárias, mantendo a gestão de resíduos e a preservação do meio ambiente.
Um panorama preocupante
A insatisfação da comunidade em relação ao mau cheiro em Paulínia revela um problema sério e que afeta a qualidade de vida da população. O que começou com reclamações isoladas agora se tornou uma questão coletiva, exigindo atenção e ação efetiva por parte das autoridades e empresas responsáveis. A luta dos moradores por um ambiente mais saudável continua, e suas vozes precisam ser ouvidas.
Com a vigilância da CETESB e o comprometimento das empresas, espera-se que a situação melhore em um futuro próximo, trazendo alívio para os moradores que há tempos convivem com esse transtorno. A participação da comunidade neste processo é vital, e é fundamental que os cidadãos continuem a observar e reportar as condições que afetam suas vidas diárias.
Por fim, eventos recentes em outras cidades, como Hortolândia, onde também houve reclamações semelhantes, ressaltam a importância de um gerenciamento adequado dos serviços de saneamento, evidenciando que este é um problema complexo que precisa ser abordado de forma holística e eficaz.


