No litoral de São Paulo, um caso alarmante de exercício ilegal da medicina veio à tona quando Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por ter se passado por médico e realizado cerca de 150 exames de ultrassom na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Cananéia. A fraude foi descoberta quando um exame foi realizado em uma paciente que não possui a vesícula biliar, levando à denúncia às autoridades municipais.
O que ocorreu em Cananéia
Wellington utilizou o CRM de um médico, sócio de uma clínica em São Paulo, para realizar os atendimentos. Entre os dias 6 e 7 de janeiro, ele operou equipamentos próprios na UBS da cidade, atraindo a atenção das autoridades após a solicitação de uma paciente, que relatou inconsistências nos resultados de seus exames. Em uma iniciativa rápida, a Prefeitura de Cananéia reagendou os exames para o dia 13 e 14 de janeiro, que serão executados por um médico legitimamente contratado.
Investigação em andamento
A Polícia Civil de Cananéia está aprofundando as investigações para determinar se Wellington tinha um “acordo prévio” com o médico verdadeiro. Segundo informações apuradas, o empresário é estudante de Medicina e está no quinto ano da faculdade. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) também se mobilizou, abrindo sindicância para investigar o incidente. Vários pacientes já prestaram depoimento, mas outros ainda estão sendo convocados, incluindo o médico que teve seu CRM utilizado fraudulentamente.
Caracterização da fraude
A prisão de Wellington se deu devido a acusações de exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica. Ele foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Registro após a audiência de custódia, onde sua prisão foi convertida em preventiva. O advogado de defesa, Celino Barbosa de Souza Netto, anunciou que pretende recorrer da decisão e provar a inocência de seu cliente.
A resposta da Prefeitura de Cananéia
A administração municipal expressou sua preocupação com a situação, informando que Wellington atuou na UBS apenas por um dia e destacou que o médico verdadeiro apresentava toda a documentação necessária, incluindo um CRM válido. “Contudo, quem compareceu à unidade para prestar o serviço foi outra pessoa, que se fez passar pelo profissional, utilizando documentos falsos apresentados a servidores municipais e à autoridade policial”, enfatiza a nota emitida pela prefeitura.
Garantias de segurança para a população
Além do agendamento dos novos exames, a prefeitura lamentou o ocorrido e se comprometeu a instaurar uma sindicância administrativa em conjunto com a empresa gestora, buscando apurar as responsabilidades e fortalecer os mecanismos de controle e prevenção. Em sua nota, a administração destacou a gravidade da violação ética e jurídica que a situação representa, reafirmando seu compromisso em garantir a integridade dos serviços de saúde da comunidade.
Reflexão sobre a ética médica
Casos como o de Wellington Mazini Silva chamam a atenção para a importância da ética na profissão médica e dos rigorosos controles na prestação de serviços à saúde. A confiança da população nos profissionais de saúde é fundamental e, incidentes como este comprometem não apenas a imagem dos praticantes de medicina, mas também a confiança que a sociedade deposita no sistema de saúde.
Este episódio não apenas reflete falhas individuais, mas ressalta a necessidade de políticas públicas mais eficazes que garantam a segurança dos pacientes e a legalidade das atividades profissionais. Enquanto a investigação continua, a comunidade de Cananéia aguarda que medidas apropriadas sejam tomadas para evitar que algo semelhante ocorra no futuro.

