Brasil, 13 de janeiro de 2026
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Descoberta de canoas antigas em Wisconsin revela cultura pré-histórica

A recente descoberta de canoas antigas no Lago Mendota, em Wisconsin, trouxe à tona a existência de uma cultura avançada na América, contemporânea à civilização egípcia. Pesquisadores desenterraram seis canoas, incluindo uma que data de aproximadamente 5.200 anos, anterior à Grande Pirâmide de Gizé, que possui pelo menos 4.500 anos.

Uma rica história submersa

Desde 2021, 16 antigas canoas ‘dugout’ foram encontradas nas escavações do lago, todas esculpidas a partir de troncos de árvores individuais, utilizando fogo e ferramentas simples como pedras e conchas. Através de testes realizados na madeira, foi possível determinar que as canoas foram construídas entre 1300 a.C. e 3000 d.C. O que isso indica é que uma civilização até então desconhecida prosperou na região por milhares de anos, participando de atividades como comércio, pesca e talvez jornadas espirituais através de uma rede de viagens sofisticada que abrangia o atual Meio-Oeste dos EUA.

Canoas que reescrevem a história

Os pesquisadores da Sociedade Histórica de Wisconsin (WHS) afirmam que esses novos achados mudam significativamente nossa compreensão sobre a história da América do Norte, evidenciando que os humanos no continente formaram comunidades organizadas muito mais cedo do que se pensava anteriormente. As canoas foram encontradas a uma profundidade de 9 metros sob a superfície da água, em aglomerados próximos a caminhos naturais, sugerindo que o lago foi um local de intenso movimento por gerações.

A canoa mais antiga recuperada do Lago Mendota coloca os antepassados de um grupo conhecido como Ho-Chunk na mesma linha temporal de algumas civilizações egípcias, demonstrando como as habilidades de construção de barcos se desenvolveram globalmente. Até agora, apenas duas das 16 canoas encontradas foram retiradas da água e estão passando por um processo de preservação que pode levar anos, incluindo uma canoa de aproximadamente 4,3 metros e cerca de 3.000 anos de idade.

Canoas em Lake Mendota

As canoas no Lago Mendota são conhecidas como canoas dugout, pois cada uma foi construída a partir de um único tronco de árvore.

Tecnologia de construção inovadora

Essas embarcações antigas foram predominantemente feitas de madeiras duras como carvalho vermelho e branco, o que é curioso, pois o carvalho vermelho geralmente absorve água através dos poros abertos da árvore, podendo tornar os barcos mais pesados ou menos flutuantes. No entanto, acredita-se que seus construtores misteriosos possam ter preparado as árvores para formar obstruções naturais, chamadas tyloses, que selam a madeira contra a água e a deterioração, melhorando a flutuação.

Os arqueólogos suspeitam que os povos nativos da área selecionavam árvores estressadas ou danificadas, ou intencionalmente feriam-nas durante o crescimento para produzir esses troncos mais resistentes. Segundo a arqueóloga marítima Tamara Thomsen, “a arqueologia é como montar peças de um quebra-cabeça, e quanto mais peças você puder encontrar, melhor poderá começar a formar uma imagem do que estava acontecendo e por quê durante um período da história”.

A relação da descoberta com a cultura Ho-Chunk

Essa descoberta é de grande importância para o povo Ho-Chunk, pois valida a presença de seus ancestrais na região por milhares de anos, fortalecendo sua conexão cultural e espiritual com as águas e terras. A tribo Ho-Chunk considera o Lago Wingra, que essa comunidade antiga provavelmente cruzava de canoa, como de profunda importância espiritual, com uma de suas fontes vista como um portal sagrado para outro reino.

A arqueóloga do estado, Dr. Amy Rosebrough, destacou que “uma de suas fontes, com fundo de argila branca, é vista como um portal para o mundo dos espíritos. Por gerações, os Ho-Chunk honram este lugar através de cerimônias de recordação”.

Conclusão

A descoberta das canoas em Lake Mendota não só reescreve a cronologia de civilizações sofisticadas vivendo na América do Norte, mas também oferece uma nova perspectiva sobre as interações humanas e suas histórias ricas, muitas vezes ignoradas. À medida que mais pesquisa é realizada, espera-se que novas revelações ocorram, enriquecendo ainda mais nosso entendimento da história antiga da América.

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