Na última segunda-feira, 12 de janeiro, teve início um curso intensivo que se estenderá até junho na Pontifícia Universidade Urbaniana, Roma. Este curso se apresenta como uma oportunidade valiosa para clérigos e estudantes de Direito Canônico se atualizarem sobre os desenvolvimentos nas normas referentes aos “Delicta Graviora” – delitos graves que atentam contra a santidade dos Sacramentos e a integridade da Igreja Católica.
Os principais delitos abordados no curso
O curso está dedicado ao estudo dos delitos reservados ao Dicastério para a Doutrina da Fé, que incluem questões delicadas, como os crimes contra o Sacramento da Eucaristia, abusos sexuais cometidos por clérigos contra menores e a tentativa de conferência da ordem sacra a mulheres. Esses casos não apenas abalam a confiança da comunidade, mas também exigem uma gestão rigorosa e responsável por parte da Igreja.
Entre as principais temáticas abordadas estão a remoção ou retenção de hóstias consagradas com fins sacrílegos, a violação do sigilo sacramental durante as confissões e a absolvição de cúmplices em pecados graves, o que coloca em risco a moral e a integridade dos sacramentos. Esses delitos são tratados com precisão histórica e legal, já que têm implicações diretas sobre o comportamento e a responsabilidade dos clérigos na sociedade.
Mudanças significativas nos últimos 25 anos
O curso busca aprofundar o conhecimento em relação às mudanças nas normas que ocorreram nas últimas duas décadas e meia. Em 2001, o Papa João Paulo II promulgou o Motu Proprio “Sacramentorum sanctitatis tutela”, que devolveu ao Dicastério para a Doutrina da Fé a responsabilidade de julgar crimes de maior gravidade. Desde então, as diretrizes foram aprimoradas e atualizadas, principalmente pelo Papa Bento XVI em 2010 e, mais recentemente, pelo Papa Francisco em 2021.
Esse último documento, que não adicionou novos delitos, trouxe melhorias significativas nos aspectos processuais com o intuito de fortalecer a justiça dentro da Igreja. Por exemplo, as normas de 2010 ampliaram o período de prescrição para denúncias de abusos sexuais de 10 para 20 anos, a partir do 18º aniversário da vítima, representando um avanço importante na proteção dos mais vulneráveis.
A importância do curso para a formação de líderes eclesiásticos
O Curso Intensivo, ao se desenrolar em um ambiente acadêmico, visa capacitar líderes eclesiásticos, juízes de tribunais e aqueles que atuam nas Cúrias diocesanas. A proposta é fornecer formação que ajude esses profissionais a lidar com situações complexas e delicadas relacionadas aos delitos reservados.
Durante o curso, os participantes terão acesso a aulas ministradas por professores bem-informados, sendo muitos deles oficiais do Dicastério para a Doutrina da Fé. Essa interação garantirá um aprendizado prático e aplicável, proporcionando uma compreensão mais profunda dos desafios presentes e orientações para a gestão de casos específicos.
Considerações finais sobre delitos graves na Igreja
À medida que a Igreja Católica continua a navegar por questões éticas e morais sempre em evolução, a realização de cursos desse tipo é de extrema importância. A educação contínua é fundamental para garantir que aqueles que ocupam posições de liderança dentro da Igreja estejam bem informados e preparados para enfrentar os desafios contemporâneos.
O curso de 2023 não apenas apresenta a possibilidade de atualização, mas também reforça o compromisso da Igreja em lidar com a responsabilidade e a transparência em relação aos delitos graves. O sucesso daquela que se espera ser uma jornada de aprendizado será fundamental para o avanço da Igreja em sua função de guia espiritual e moral no mundo atual.
*Agência Fides


