Nesta terça-feira (13), o Banco Central do Brasil se uniu a um grupo de autoridades monetárias de destaque mundial para assinar uma carta conjunta em defesa da independência do Federal Reserve, dos Estados Unidos. O movimento busca reforçar a necessidade de autonomia técnica dos bancos centrais como pilar fundamental da estabilidade econômica global.
Posicionamento contra pressões políticas ao Fed
Ao aderir ao documento, o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, alinhou o país a instituições como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco de Compensações Internacionais. A carta manifesta que a independência dos bancos centrais é essencial para a estabilidade de preços, financeira e econômica, e deve ser preservada com respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática.
Segundo o texto, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, é reconhecido por sua integridade e compromisso com o interesse público, em meio às críticas do governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, que vem pressionando por cortes de juros.
Conjuntura internacional e motivações do movimento
Além do Brasil, assinaram a carta dirigentes de bancos centrais da Suécia, Dinamarca, Suíça, Noruega, Austrália, Canadá e Coreia do Sul. A iniciativa ocorre após o Fed manter a taxa básica de juros entre 4,25% e 4,5%, mesmo com ameaças de intervenção política.
Contexto de tensões e objetivos
A defesa coordenada visa sinalizar aos mercados que as principais instituições continuam comprometidas com mandatos técnicos, previsibilidade e controle da inflação, mesmo diante de pressões internas. O movimento também busca conter ruídos que possam afetar expectativas de inflação, juros e estabilidade financeira globais.
O episódio ganha relevância em meio às críticas públicas do presidente Trump, que defende cortes de juros para estimular a economia desacelerada em 2025, enquanto Powell enfrenta intimidações relacionadas a uma reforma no edifício do Fed, descrevendo tais ações como estratégias de pressão política.
Repercussões e impacto no cenário financeiro
Ex-líderes econômicos e ex-presidentes do Fed alertaram que a erosão da autonomia da autoridade monetária norte-americana poderia elevar os riscos de crédito e prejudicar a credibilidade da política monetária global. O posicionamento brasileiro reforça a importância de que a autonomia seja um valor defendido por instituições internacionais.
Analistas interpretam a união como um esforço de coordenação internacional para assegurar a estabilidade do sistema financeiro mundial e evitar que tensões políticas afetem a credibilidade das políticas econômicas globais.


