A questão dos deepfakes e o uso de inteligência artificial para criar conteúdos sexualizados não consensuais estão se tornando cada vez mais alarmantes, especialmente à medida que plataformas como X (anteriormente Twitter) expandem suas funcionalidades. Ashley St. Clair, uma influenciadora conservadora e ex-namorada de Elon Musk, recentemente se viu no centro de uma controvérsia envolvendo a geração de imagens sexualizadas de si mesma por meio da nova ferramenta de edição de imagens da plataforma, chamada Grok.
Revelações chocantes sobre deepfakes e privacidade
St. Clair compartilhou que foi a primeira a ver uma imagem deepfake dela mesma em um traje de banho revelador na plataforma. Desde então, uma avalanche de imagens gráficas e perturbadoras começou a inundar o site. Segundo ela, seguidores de Musk estavam utilizando o chatbot Grok para gerar essas imagens sexualizadas, incluindo fotos dela quando tinha apenas 14 anos. “Estavam disponíveis fotos alteradas onde eu apareço despida ou usando apenas um biquíni minúsculo”, revelou St. Clair.
A influenciadora afirmou que, apesar de ter reportado cada uma das imagens para os moderadores da plataforma, as respostas foram insatisfatórias. “Tentei chamar a atenção dos moderadores dessa situação, mas não obtive sucesso”, disse.
Consequências de se manifestar contra a situação
St. Clair não apenas solicitou a remoção das imagens, mas também foi banida do serviço premium da plataforma, o que gerou ainda mais indignação. “Estou disposta a enfrentar as consequências de meus atos, não se trata apenas de punir X ou Elon, mas de mostrar que ninguém deve optar pelo conforto em detrimento do que é certo”, declarou.
Entre os graves problemas que St. Clair enfrentou, está a preocupação com a privacidade de seu filho, Romulus, com quem Musk tem um relacionamento conturbado. “Ver essas imagens me fez sentir violada e cheia de medo sobre a privacidade da minha família”, comentou.
A resposta da plataforma X e a regulamentação governamental
O chatbot Grok enfrenta críticas internacionais após se tornar evidente que a tecnologia estava sendo utilizada para criar conteúdos impróprios. Recentemente, o governo britânico criminalizou a criação de imagens íntimas não consensuais, e a Ofcom, a agência reguladora, abriu uma investigação formal sobre o chatbot. A França também iniciou investigações relacionadas ao uso da plataforma.
“É a primeira vez que concordo com o governo britânico ao restringir certos conteúdos. Isso deve ser tratado com seriedade”, afirmou St. Clair, enfatizando a gravidade da situação enquanto a plataforma continua a operar sem rigorosas restrições em muitos casos.
O impacto do caso e a luta por justiça
St. Clair disse ter recebido mensagens de várias mulheres que estão angustidas com o que as imagens sexualizadas podem significar para suas vidas e reputações. “O X está colocando um fardo indevido sobre as vítimas ao dizer que é apenas responsabilidade do usuário lidar com essas questões”, observou.
Ela está considerando ações legais que podem classificar as deepfakes geradas como pornografia de vingança, um aspecto que poderia passar a ser um crime sob novas legislações. “Quero definir um exemplo e ajudar aquelas que não têm a coragem de lutar contra essa batalha”, concluiu.
A transformação e o empoderamento pessoal de St. Clair
A situação também trouxe uma reflexão pessoal para St. Clair. Após ter abrigado ideias que anteriormente a tornaram uma figura polarizadora, ela expressou arrependimento e um desejo de mudança: “Tive experiências de vida significativas, incluindo a maternidade, que mudaram minha perspectiva. Estou tentando compreender e apoiar pessoas que eu machuquei no passado”, disse.
Ela ressaltou que, apesar dos desafios enfrentados, está vivendo um momento de felicidade em sua vida pessoal, cuidando bem de seu filho e reconstruindo sua imagem. “É fácil nos apegarmos às narrativas negativas, mas a verdade é que estou muito contente e tenho amor em minha vida”, finalizou.
O caso de Ashley St. Clair levanta questões essenciais sobre privacidade, a utilização de tecnologias avançadas e a responsabilidade das plataformas digitais em relação ao conteúdo gerado por usuários.


