Brasil, 13 de janeiro de 2026
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

A história da anexação da Crimeia e a agressão russa à Ucrânia

O dia 18 de março de 2014 marca a formalização da anexação da Crimeia e Sevastopol à Federação Russa. Contudo, a história da agressão russa contra a Ucrânia remonta a décadas anteriores, em um complexo jogo geopolítico que se intensificou com a invasão em larga escala da Ucrânia, ocorrida em 24 de fevereiro de 2022.

A gênese da agressão russa

Ao refletir sobre quando realmente começou a agressão russa, muitos podem pensar que o ponto de partida foi a anexação da Crimeia em 2014. Entretanto, a estratégia russa para a Crimeia se iniciou já na década de 1990, em um período em que a amizade entre Rússia e Ucrânia ainda era proclamada por líderes dos dois países. Em 1993, o Parlamento russo chegou a reconhecer Sebastopol como uma cidade russa e manifestou sua intenção de financiá-la com o orçamento federal da Rússia.

Apesar das tentativas, as lutas internas na Rússia — incluindo disputas de poder entre figuras políticas como o presidente Boris Yeltsin e o presidente do Parlamento, Ruslan Khasbulatov — impediram esse movimento de se concretizar naquela época. A dissolução do Parlamento e a prisão de Khasbulatov foram eventos cruciais que barraram a tentativa de adesão de Sebastopol à Rússia.

A era dos presidentes na Crimeia

Em 1994, um passo significativo ocorreu com a criação do cargo de presidente da República Autônoma da Crimeia, ocupado por Yuri Meshkov, um político que contava com o apoio da Rússia. Em seu mandato, Meshkov declarou a intenção de integrar a Crimeia à Rússia e tomou medidas para alinhar a península mais estreitamente com Moscovo, como a adoção do fuso horário russo.

Essa tentativa de anexação em 1994, no entanto, foi frustrada pelos serviços de segurança ucranianos que acabaram por realizar uma operação especial para abolir o cargo de presidente, levando Meshkov a ser o primeiro e o último a ocupar a posição.

A Frota do Mar Negro e suas implicações

A divisão da Frota do Mar Negro, após o colapso da União Soviética, teve implicações significativas na história da Crimeia. A frota, que estava estacionada em diversas ex-repúblicas soviéticas, teve seu quartel-general em Sebastopol. Desde o princípio, a Rússia rejeitou a transferência da frota para controle ucraniano, alegando que a presença da frota na Crimeia era um direito. Yeltsin, durante uma visita, afirmou categoricamente que “A Frota do Mar Negro era, é e sempre será russa”. Esse controle da frota tornou-se um objeto de disputa entre os dois países, prolongando a tensão na região.

Após um ano de intensa pesquisa sobre essa fase da história, incluindo o exame de documentos e entrevistas com figuras que vivenciaram esses eventos, ficou evidente que a Rússia tinha um plano bem definido para a Crimeia. Através de manobras políticas e intimidações contra aqueles que apoiavam a Ucrânia, Moscovo buscava consolidar seu controle sobre a frota e, por extensão, sobre a Crimeia.

As consequências da concessão da frota

As pressões políticas e a manipulação de dívidas de gás levaram a um acordo que favoreceu a Rússia na divisão da frota, resultando em um saldo desfavorável para a Ucrânia, que, como se disse na época, ficou com “sucata” enquanto a Rússia reforçava sua presença militar na península. Ironia do destino, após a invasão em 2022, a Ucrânia danificou vários navios da frota russa na Crimeia, mas essa é uma outra narrativa.

Os eventos dos anos 90 servem como um alerta: as concessões a Moscovo têm um custo elevado. A incapacidade da Ucrânia em reter o controle da frota resultou na bandeira russa tremulando em Sebastopol, pavimentando o caminho para a anexação de 2014 e, posteriormente, para a invasão de 2022.

Essas interconexões históricas mostram como as ações de décadas passadas moldaram o presente e o futuro da Ucrânia, focando na luta por sua autonomia e dignidade nacional.

*Yevheniia Motorevska é responsável pela unidade de investigação de crimes de guerra.

Saiba mais sobre este tema acessando o documentário “Crimeia: Guerra Antes da Guerra”.

Este conteúdo destaca a necessidade de um entendimento mais profundo sobre as raízes da atual crise, mostrando como a história e a política moldaram a situação na Crimeia e na Ucrânia.

Fonte

PUBLICIDADE

Institucional

Anunciantes