Recentemente, o Los Angeles Times teve acesso a uma revisão interna das políticas de uso da força da Patrulha Fronteiriça dos EUA. Este documento, que a Administração de Segurança de Fronteiras e Alfândegas (CBP) se recusa a divulgar amplamente, revela práticas preocupantes em uma agência que opera com padrões de força excessiva e escassa responsabilidade. O relatório, produzido em fevereiro de 2013 pela Polícia Executive Research Forum, analisou 67 incidentes de uso da força por agentes federais ao longo da fronteira entre os EUA e o México, que resultaram em 19 mortes.
Resultados chocantes da revisão interna
Entre os achados mais alarmantes, o Los Angeles Times destacou que agentes da Patrulha Fronteiriça se colocaram propositalmente na frente de veículos em movimento para justificar o uso da força letal contra seus ocupantes. Além disso, constatou-se que os agentes dispararam em frustração contra pessoas que atiravam pedras do lado mexicano da fronteira quando simplesmente poderiam ter se afastado.
Falta de diligência nas investigações
O mesmo relatório critica a “falta de diligência” na investigação dos incidentes em que os agentes dispararam suas armas, questionando se a Patrulha Fronteiriça “revê consistentemente e minuciosamente” os incidentes que envolvem o uso da força letal. Os autores do relatório enfatizaram que a prática de assumir uma posição em frente aos veículos em movimento é extremamente perigosa, uma vez que “um projétil de meia onça (200 grãos) é improvável que pare um veículo em movimento de 4.000 libras.”
Recomendações que foram rejeitadas
Entre as recomendações feitas na revisão estava a proibição do uso de armas contra veículos, exceto em casos onde as vidas dos agentes estivessem ameaçadas, assim como a proibição de disparar contra aqueles que atirassem pedras. No entanto, uma resposta interna da Patrulha Fronteiriça rejeitou essas sugestões, alegando que tal proibição poderia colocar os agentes em perigo, visto que atuam em áreas rurais e desertas. A resposta também indicou que um impedimento de disparar contra veículos permitiria que contrabandistas atropelassem os agentes.
Casos de fatalidades em atividade
Desde 2010, pelo menos 21 pessoas foram mortas por agentes da Patrulha Fronteiriça na fronteira dos EUA com o México. Um incidente notório ocorreu em 2012, quando agentes dispararam repetidamente contra um jovem de 16 anos, atingindo-o nas costas e causando sua morte. O mais recente caso envolveu um agente fronteiriço que, recentemente, disparou e matou um imigrante indocumentado por ter atirado pedras, uma das quais atingiu o agente na cabeça. Até o momento, não se sabe se os agentes envolvidos em qualquer um desses casos receberam medidas disciplinares, uma vez que a CBP não divulga tais informações.
A evidência revelada nesse relatório evidencia a necessidade urgente de reformar as práticas e políticas da Patrulha Fronteiriça, visando não apenas a proteção dos agentes, mas acima de tudo, a segurança e os direitos dos indivíduos que habitam e cruzam esta região conturbada. Enquanto isso, as vozes que clamam por maior responsabilidade e transparência na aplicação da lei permanecem cada vez mais essenciais em um debate que afeta comunidades e vidas ao longo da fronteira.


