O II Encontro Sinodal Nacional, realizado em Fátima no dia 10 de janeiro, reuniu cerca de 160 representantes de dioceses e diversos organismos católicos de Portugal. Promovido pela Equipa Sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), o evento teve como foco avaliar as implicações pastorais do processo sinodal, que está em andamento desde a XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos (2021-2024).
Importância do Encontro Sinodal
O tema central do encontro foi “Da escuta à missão: espiritualidade sinodal e implicações pastorais”, refletindo o desejo dos participantes em reforçar a importância da escuta e da missão dentro das comunidades católicas. Durante o encontro, os responsáveis das dioceses compartilharam experiências e desafios enfrentados nos últimos anos, além de propor ações que possam fortalecer a espiritualidade sinodal nas paróquias.
Segundo informações da Agência Ecclesia, que acompanhou o evento, o documento conclusivo preliminar destacou a necessidade de que as comunidades católicas promovam uma “conversão do olhar e da linguagem”. Esse apelo visa a transformação de uma visão centrada em quem detém o poder dentro da Igreja para uma perspectiva mais inclusiva, orientada ao serviço.
Foco na escuta e acolhimento
A partir das conversas em grupos, os participantes identificaram a importância de criar práticas pastorais que envolvam escuta espiritual, humana e comunitária de maneira contínua nas paróquias e dioceses. O desejo é de promover uma Igreja mais acolhedora, onde todos possam se sentir parte e convidados a participar dos processos de discernimento e ação pastoral.
O documento final do encontro enfatizou que a Igreja deve ser uma “Igreja de acolhimento e misericórdia”, que não impõe barreiras ou condições aos que buscam a Jesus. Essa visão propõe um espaço em que todos os batizados se sintam corresponsáveis na missão da Igreja, promovendo uma maior participação de todos nas atividades da comunidade.
Desafios e esperanças
Apesar dos sinais de esperança observados em comunidades que já incorporaram práticas sinodais, os participantes expressaram preocupações com barreiras ainda existentes, como resistências clericais, fragilidades nas decisões compartilhadas e a necessidade de formação contínua. O presidente da CEP, D. José Ornelas, destacou que, “a conjuntura mundial torna ainda mais urgente o aprofundamento da natureza sinodal da Igreja”, ressaltando que a Igreja deve ser um agente ativo frente a conflitos e injustiças que afetam os mais vulneráveis.
Ao longo do discurso inaugural, D. José Ornelas lembrou que o Sínodo iniciado pelo Papa Francisco trouxe um impulso significativo para a renovação da Igreja. Ele reiterou que o compromisso de atualização e renovação da Igreja deve ser mantido, especialmente no atual contexto desafiador, que exige uma resposta mais incisiva da comunidade católica.
O II Encontro Sinodal Nacional evidencia a disposição da Igreja em Portugal de se reinventar e responder de maneira mais eficaz aos desafios contemporâneos, sempre a partir da escuta e do diálogo. A expectativa é que as reflexões e propostas realizadas durante o encontro possam gerar frutos positivos nos próximos anos, refletindo uma Igreja mais dinâmica e próxima das necessidades de seus fiéis.
Para ouvir mais sobre o encontro e as discussões realizadas, acesse a reportagem disponibilizada pela Agência Ecclesia através do link abaixo:
Com iniciativas como o II Encontro Sinodal Nacional, a Igreja católica se posiciona como um espaço de transformação e abertura, reafirmando seu compromisso com a missão evangelizadora e o acolhimento.

