Brasil, 13 de janeiro de 2026
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Descobertas arqueológicas revelam história do batismo de Jesus

No último domingo, foi celebrado o Batismo do Senhor, e em Al-Maghtas, na Jordânia, escavações arqueológicas têm revelado vestígios de igrejas, capelas, grutas de eremitas e um batistério, todos locais de culto que estão ligados ao Batismo de Jesus. Este importante sítio histórico foi reconhecido em 2015 como Patrimônio Mundial da UNESCO. Três Papas – João Paulo II, Bento XVI e Francisco – peregrinaram até esse local sagrado, destacando sua relevância espiritual e religiosa.

Al-Maghtas: o local do batismo

Segundo o Evangelho de João, João Batista realizava batismos na região além do Jordão. A passagem bíblica menciona: “Isso aconteceu em Betânia, na outra margem do Jordão”. (Jo 1,28). Essa Betânia, no entanto, é diferente da Betânia perto do Monte das Oliveiras, sendo frequentemente identificada como Bethabara, uma referência que também aparece em algumas versões do Evangelho e no Mapa de Madaba, uma antiga representação geográfica da Palestina.

Atualmente, esse lugar é conhecido como Al-Maghtas, que em árabe significa “batismo” ou “imersão”. Os primeiros cristãos mantiveram viva a memória do local onde Jesus foi batizado, mesmo em tempos de perseguições, e a tradição continuou a ser passada de geração em geração.

Testemunhos da história cristã

Historicamente, até o início do século IV, a construção de locais sagrados era proibida para os cristãos, que frequentemente enfrentavam perseguições no Império Romano. Contudo, por volta do final do século V e início do século VI, o imperador bizantino Anastácio I Dicoro ergueu no local a primeira igreja dedicada a João Batista, que, ao longo dos anos, sofreu várias destruições causadas por inundações e terremotos.

Teodósio, um peregrino que visitou a região em 530, deixou registros sobre a igreja que existia ali: “A cinco milhas ao norte do Mar Morto, no local onde o Senhor foi batizado, ergue-se uma única coluna, sobre a qual está fixada uma cruz de ferro”. Sua descrição revela a importância do lugar desde aquela época.

A Basílica da Santíssima Trindade, também erguida neste local, simboliza a manifestação da Trindade durante o Batismo de Jesus. Escavações revelaram que essa basílica tinha uma dimensão considerável, com pelo menos 27 metros de comprimento e mais de 15 metros de largura, mesmo que muitos vestígios tenham se perdido ao longo do tempo.

Reconhecimento da UNESCO e seu valor humanitário

Em 2015, Al-Maghtas foi oficialmente integrado à Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, em reconhecimento ao seu significado religioso para diversas denominações cristãs. De acordo com a UNESCO, esse reconhecimento valoriza um local que foi um centro de devoção religiosa durante séculos, atraindo peregrinos, monges e eremitas desde o século IV.

A presença dos Papas em Al-Maghtas

Ao longo dos anos, Al-Maghtas recebeu visitas importantes de Papas. O primeiro a peregrinar até lá foi João Paulo II, em 2000, durante o Jubileu. Bento XVI também fez uma visita ao local em 2009, inaugurando a construção da nova igreja dedicada ao Batismo de Jesus. Em 2014, o Papa Francisco esteve em Al-Maghtas, onde se encontrou com refugiados sírios e iraquianos, ressaltando a relevância do local em tempos de crises humanitárias.

Recentemente, em janeiro de 2025, a nova Igreja do Batismo do Senhor foi solenemente consagrada. A cerimônia, que representou um marco para a comunidade católica, foi presidida pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, coroando a importância de Al-Maghtas na história cristã moderna.

Com um legado tão profundo e uma história rica, Al-Maghtas continua a ser um símbolo de fé e resistência, mantendo viva a memória do Batismo de Jesus e atraindo milhares de fiéis ao longo dos séculos.

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