Nos últimos dias, a política do Rio de Janeiro passou por transformações significativas, dando início a uma movimentação pela direita na busca de alternativas para a sucessão do governo estadual, atualmente sob a chefia de Cláudio Castro (PL). Dois fatores principais contribuíram para essa mudança: a prisão e o afastamento do presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União), e a candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que exigiu a construção de um palanque robusto no Estado, conhecido como berço do bolsonarismo.
A disputa por nomes relevantes
Enquanto Flávio Bolsonaro parece se posicionar como candidato a presidente, o cenário estadual ganha contornos que evidenciam o desejo da direita de apresentar nomes fortes. O favorito inicial de Flávio para a corrida ao governo era o chefe da Polícia Civil, Felipe Curi. Entretanto, nas últimas semanas, o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), emergiu como um nome mais consensual entre diferentes setores da política. Ruas, que é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), e tem apenas 36 anos, lidera uma pasta crucial que possui ampla capilaridade no estado.
Desafios e riscos na campanha
Apesar do consenso em torno de Ruas, pessoas próximas ao secretário manifestaram preocupação de que ele teria muito a perder, incluindo a possível reeleição para seu cargo atual, se decidir entrar na corrida pelo governo. A política do Rio ainda guarda como um dos principais adversários o prefeito Eduardo Paes (PSD), que aparece como um forte candidato para as próximas eleições. Para Ruas, a meta de presidir a Alerj no próximo biênio ainda é uma prioridade, aumentando a cautela quanto à candidatura ao governo.
Possíveis alternativas para a candidatura
Outros nomes, como Curi ou candidatos outsider, podem se dispor a enfrentar a corrida, mas ainda não conseguem engajar partidos do Centrão, que têm uma presença significativa no estado e podem influenciar decisivamente o desenrolar do pleito. Com a movimentação política acelerada, Cláudio Castro, que tem planos de disputar uma vaga no Senado, precisa se desincompatibilizar do cargo até abril, conforme exigências legais. Assim, surge a necessidade de escolher um novo governante em um pleito indireto na Alerj para comandar o estado até o final do ano.
O pleito indireto e seus desdobramentos
Para essa eleição indireta, o secretário de Casa Civil, Nicola Miccione, é o nome mais cotado. Com uma carreira técnica consolidada e sem experiência eleitoral, ele é considerado ideal para enfrentar os desafios de um mandato-tampão em um momento em que o estado enfrenta um déficit de R$ 19 bilhões previsto para 2026. Os interlocutores de Castro entendem que não faz sentido escolher alguém que vislumbre a reeleição no final do ano para um cargo temporário que exige soluções imediatas e impopulares.
Por outro lado, há a proposta de que o nome escolhido para a gestão-tampão possa se tornar um candidato forte para a eleição direta. Essa estratégia poderia facilitar o uso da máquina pública como um impulso para a campanha, algo que não estaria nas intenções de Castro, que prefere um acordo com Paes. A opção por Miccione, alinhada ao pacto entre essas lideranças, assegura a Paes que não terá um adversário poderoso em outubro.
Por que a insatisfação com Paes?
A reconfiguração política entre a direita e o Centrão reflete um descontentamento crescente com Paes, baseado em críticas sobre sua resistência em ceder espaços estratégicos na administração a outros grupos políticos. Apesar da disposição de alguns partidos em buscar garantias, esses arranjos são vistos como uma forma de pressionar o prefeito a contemplar as demandas das siglas partidárias, que incluem áreas cruciais como Saúde e Segurança Pública.
Essas movimentações políticas continuarão a evoluir conforme os partidos buscam alternativas que possam conciliar interesses e viabilizar candidaturas competitivas. À medida que os conflitos internos se estabelecem e as negociações se intensificam, a política do Rio de Janeiro vislumbra uma nova fase, marcada por alianças, disputas e a busca pelo poder a qualquer custo.














