O arcebispo Georg Gänswein, nuncio apostólico aos Estados bálticos e ex-secretário pessoal de Papa Bento XVI, afirmou que ora não mais por ele, mas a ele, buscando a sua intercessão, e manifestou esperança de que o processo de beatificação do papa emérito seja iniciado em breve. As declarações foram feitas nesta quinta-feira (11), durante evento na Biblioteca Nacional de Lituânia, em Vilnius.
Perspectivas de beatificação e devoção a Bento XVI
Gänswein destacou que a Igreja deve agir com prudência na causa de santificação, ressaltando que o processo de beatificação exige tempo para discernir se a estima pública reflete uma verdadeira santidade. “A Igreja é mãe sábia e prudente, e na causa de beatificação ela é ainda mais”, afirmou. Segundo ele, a esperança de que a causa seja aberta é forte, e o anúncio oficial poderia acontecer ainda neste ano.
O legado de Bento XVI e a fé na Baltics
O arcebispo também falou sobre sua relação com o papa Bento XVI, que governou a Igreja até 2013. Gänswein lembrou que o conheceu ainda jovem, enquanto estudava na Alemanha, e que a convivência com o então cardeal Joseph Ratzinger foi uma experiência que impactou toda a sua vida. “Todos os anos de trabalho ao lado de Ratzinger foram uma graça de Deus, uma formação do coração e da alma”, afirmou.
Após a morte do líder religioso em dezembro de 2022, Gänswein afirmou que, na oração, agora pede a intercessão de Bento XVI, e não mais por ele, reforçando a forte ligação espiritual que mantém com o ex-pontífice. “Pedir a ele ajuda, e não mais por ele, é uma forma de seguir sua orientação de fé e confiança em Deus”, explicou.
O clima de fé na Lituânia e a celebração do Natal
Durante o evento, Gänswein também comentou sobre a experiência de celebrar o Natal na Lituânia, país onde atualmente desempenha seu papel diplomático. Com bom humor, destacou a diferença do frio extremo na região em comparação com Roma, bem como a beleza das decorações natalinas, que, segundo ele, rivalizam com a grandiosidade do Vaticano.
Ele elogiou a religiosidade presente na celebração natalina na Lituânia, apontando que a fé aqui “não é apenas cultural, mas profunda”, o que contribui para uma compreensão mais autêntica do mistério do Natal. “Percebo uma reverência que se sente de verdade, uma fé que permanece viva”, afirmou.
Reflexões sobre o testemunho de fé e serviço
Gänswein também refletiu sobre o impacto do tempo ao lado de Bento XVI, considerando sua colaboração uma missão divina. Ele recordou que sua primeira aproximação com Ratzinger se deu quando ainda era seminarista, ao ler seus textos e trabalhos acadêmicos, que o impressionaram pela combinação de fé, inteligência e simplicidade.
Ao falar da despedida de Bento XVI, o arcebispo enfatizou que o momento atual é de oração a ele, pedindo sua ajuda em especial durante suas missões na Baltics. “Não oro mais por ele, mas a ele, pedindo que interceda por nós”, reforçou.
Ao final, Gänswein destacou a cautela da Igreja ao abrir processos de canonização, apontando que é uma prática prudente que procura distinguir entre fama passageira e verdadeira santidade. “A Igreja sabe o que faz, e o tempo é fundamental nesse discernimento”, concluiu.
Segundo entrevista veiculada em dezembro passado, Gänswein expressou sua esperança de que a causa de beatificação de Bento XVI seja oficialmente iniciada em breve. A publicação do procedimento é aguardada com expectativa pela comunidade católica, especialmente pelos devotos do papa emérito.
A cerimônia também contou com convidados especiais, entre eles professores, artistas e representantes da sociedade lituana, que ressaltaram a importância da fé viva e do testemunho de solidariedade e esperança, que caracterizam a Igreja na região.
Para Gänswein, o legado de Bento XVI permanece vivo na fé de milhões de fiéis e na esperança de que a Igreja reconheça sua santidade em breve, fortalecendo o testemunho de simplicidade, humildade e amor ao próximo.














