O cardeal Joseph Zen Ze-kiun, arcebispo emérito de Hong Kong, fez uma forte denúncia contra o processo de synodalidade durante a cons Sinodal extraordinária realizada de 7 a 8 de janeiro, reunindo 170 dos 245 cardeais, na primeira grande reunião do papa Francisco com o colégio cardinalício após sua eleição.
Críticas à manipulação e à referência ao Espírito Santo
Durante uma das duas sessões de discussão livre, Zen afirmou que o procedimento utilizado para a realização da sinodalidade é uma “manipulação de ferro” que representa um “insulto à dignidade dos bispos”. Segundo ele, as constantes referências ao Espírito Santo no processo são “ridículas e quase blasfemas”.
“Esperam surpresas do Espírito Santo. Que surpresas? Que ele rejeite o que inspirou na tradição de dois mil anos da Igreja?”, questionou o cardeal de 93 anos, ao criticar o modo como o processo é conduzido pelo papa Francisco, que, para Zen, está bypassando o colégio de bispos, embora insista que o uso da colegialidade seja adequado para “compreender o ministério hierárquico”.
Contradições e ambiguidade no documento final
Zen também apontou supostas contradições no documento final da sinodalidade. Ele destacou que, embora seja declarado parte do magistério, o texto afirma que não cria normas, além de afirmar que unidade de ensino e prática podem ser adaptadas a diferentes contextos culturais e regionais.
O cardeal levantou ainda dúvidas sobre se o Espírito Santo garante que interpretações opostas do documento não poderão gerar divisões na Igreja, e questionou se as “novas formas de ministério” experimentais do texto serão julgadas pelo Secretariado do Sínodo ou por uma instância mais “competente”, incluindo a possibilidade de provocar uma fragmentação semelhante àquela já vivenciada na Comunhão Anglicana.
Visões sobre as relações com a Igreja Ortodoxa
Zen manifestou sua opinião de que a Igreja Ortodoxa provavelmente “não aceitará” a chamada “sínodo-ty,” por valorizar o significado do Sínodo dos Bispos, instituído pelo papa Paulo VI, ao passo que o papa Francisco teria “desmontado” essa instituição ao incluir não bispos na sua estrutura facilitativa, uma mudança que, na visão do cardeal, prejudica a compreensão tradicional de colegialidade.
Reação do Vaticano e o silêncio oficial
Durante o encerramento do encontro, representantes do Vaticano e os cardeais presentes na cobertura oficial não comentaram as críticas de Zen. Segundo membros do Vaticano, não houve críticas diretas ao papa Francisco, embora tenha havido uma menção a diferenças de opinião sobre a clareza do conceito de sinodalidade, sem mencionar discussões específicas.
O caráter sigiloso da reunião impede que detalhes das discussões cheguem ao público, mas a postura de Zen reforça a tensão existente entre as posições tradicionais e as novidades propostas pelo atual pontificado.
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