Brasil, 3 de fevereiro de 2026
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Inflação de 2025 revela avanços na política monetária e novos desafios

Depois de um ano de alta volatilidade e expectativas desafiadoras, o IPCA de 2025 fechou em 4,26%, dentro da meta de inflação e a menor desde 2018, refletindo avanços na política monetária brasileira. A expectativa inicial, em janeiro do mesmo ano, era de que a inflação atingisse 5%, após 13 reajustes nas projeções do mercado financeiro, em um contexto de alta do dólar e incerteza fiscal.

Transição do cenário inflacionário e impactos na economia

O bom desempenho do IPCA evidencia que as ações do Banco Central tiveram efeito, apesar de o controle da inflação não depender exclusivamente das taxas de juros, que se estabilizaram em 15% ao longo de 2025. O principal canal de impacto, segundo especialistas, foi a valorização do câmbio, que vinha pressionado o dólar acima de R$ 6, mas operou abaixo de R$ 5,50 por um período prolongado, contribuindo para moderar a inflação.

A atuação monetária e a coordenação de políticas econômicas

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou que o resultado do IPCA demonstra a efetividade da política monetária, mas também a importância do esforço coordenado de política econômica, especialmente no segundo semestre de 2024 e início de 2025. “O IPCA mostra que a política monetária funciona, mas também revela que houve um esforço conjunto”, afirmou Mello ao GLOBO.

Ele destacou ainda que os 4,26% representam o melhor resultado do período sob o governo Lula, iniciando 2025 com uma projeção de cenário mais adverso. Para Mello, o desempenho da inflação também confirma uma melhora no mercado de trabalho, com desemprego em níveis históricos e uma capacidade de crescimento da economia que supera as expectativas iniciais.

Desafios e debates sobre crescimento e inflação de serviços

Apesar dos avanços, a inflação de serviços permaneceu elevada, encerrando o ano perto de 6%, acima do índice global e da meta de 3%. Os núcleos inflacionários, que analisam a inflação excluindo efeitos transitórios, ficaram em torno de 4,6%, indicando que o controle ainda exige atenção.

O desempenho das variáveis reflete a complexidade do cenário: a inflação de serviços é influenciada pelo mercado de trabalho, que, mesmo com baixa de desemprego, ainda apresenta pressões inflacionárias. “A economia tem uma Nairu [nível de desemprego que não pressiona a inflação] mais baixa e um PIB potencial maior do que inicialmente previsto”, analisa Mello.

Expectativas para o futuro e o papel do Banco Central

Apesar do IPCA de 2025 ter ficado abaixo do esperado, o Banco Central ainda enfrenta o desafio de convencer o mercado de que levará a inflação ao centro da meta, de 3%. As projeções da Focus indicam que, a partir de 2027, a inflação deve ficar abaixo de 4%, mas não deve atingir o patamar de 3% por completo, principalmente devido às altas taxas de juros ainda vigentes.

Segundo especialistas, a desaceleração da atividade econômica será fundamental para que as expectativas inflacionárias se ajustem necessariamente. Contudo, a manutenção de juros elevados ainda desacelera o crescimento, levantando dúvidas sobre o ritmo de expansão potencial do país.

Reflexões sobre crescimento e estabilidade

O desempenho inflacionário de 2025 reforça a importância de um equilíbrio entre política monetária restritiva e estímulos ao crescimento. As indicações de que o PIB potencial é maior do que se pensava anteriormente abrem espaço para debates sobre a sustentabilidade da atividade econômica, especialmente em um contexto de juros altos e inflação controlada.

Para além do cenário atual, a discussão permanece sobre o papel do Banco Central na manutenção da estabilidade de preços e do crescimento sustentado, aspecto crucial para o desenvolvimento econômico do Brasil nos próximos anos.

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