Agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) monitoraram a Igreja Católica de St. Gabriel, em Hopkins, Minnesota, durante a missa de Epifania, após a deportação do funcionário da paróquia, Francisco Paredes, há cinco semanas. A presença do ICE no entorno da igreja tem causado preocupação e insegurança entre os fiéis, que relataram uma redução significativa na frequência às missas.
Política de fiscalização e impacto na comunidade
Na semana passada, o Departamento de Segurança Interna dos EUA eliminou uma política federal que restringia operações de imigração em locais sensíveis, como igrejas, hospitais e escolas. Desde então, a presença de agentes na área da igreja aumentou, e fiéis têm se sentido ameaçados ao frequentar os cultos, especialmente após o incidente em que um agente do ICE matou a cidadã americana Renee Good, no dia 7 de janeiro, a pouco mais de oito milhas da paróquia.
Relatos de tensão e violação de direitos
O padre Paul Haverstock, pastor de St. Gabriel, afirmou que os agentes estavam com máscaras de ski na entrada do estacionamento do lado da igreja na manhã de 4 de janeiro. Ele disse ter registrado a presença da equipe do ICE durante o culto, vestindo sua roupa litúrgica, enquanto pensava em documentar a ação para proteger a comunidade. “Queremos garantir que, se houver alguma intervenção, ela seja registrada claramente,” afirmou.
Segundo Haverstock, a vigilância e presença dos agentes dificultam a liberdade de culto dos fiéis. “Quem não ficaria intimidado com essa situação? Parece uma violação dos direitos constitucionais e uma quebra da decência”, protestou.
Deportação de funcionário e clima de medo
Francisco Paredes, de 46 anos, foi detido em 4 de dezembro de 2025, quando saiu da paróquia para pegar café na manhã de trabalho. Após sua prisão, ele foi encaminhado a uma instalação de processamento no estado de Minnesota, passando por péssimas condições de enfermaria e sendo transferido posteriormente para o Texas. Paredes, que trabalhou na igreja durante anos e canta no coral, relatou terem-se passado horas em celas superlotadas, sem acesso a refeições ou assistência religiosa, antes de ser deportado para o México.
O prefeito de Hopkins, Patrick Hanlon, falou sobre a presença constante de agentes do ICE na cidade, que totaliza cerca de 19 mil habitantes conhecidos por suas festividades e forte vida cultural. Hanlon pediu que o ICE respeite as leis locais e afirmou estar preocupado com o impacto dessas ações na comunidade.
Fé e resistência frente ao medo
Após a vigilância na missa de Epifania, o padre Haverstock contou ter conversado com o arcebispo de Minneapolis, Bernard Hebda, e com o prefeito, solicitando que o ICE não perfilasse mais a igreja. Ele também comentou que planeja oferecer dispensas temporárias às missas dominicais para aqueles que se sentirem inseguros de frequentar após o aumento da presença policial.
“Essas ações geram medo, e muitos fiéis de boa vontade estão assustados por serem detidos ou perseguidos, mesmo estando aqui legalmente,” afirmou Haverstock. O religioso destacou que a paróquia, contudo, se uniu em solidariedade aos imigrantes, independentemente de suas afiliações políticas, numa luta por justiça e dignidade.
Resposta da comunidade e perspectivas
Haverstock reforçou seu compromisso de ajudar os imigrantes afetados, convidando os paroquianos a participarem de ações de misericórdia. “Devemos lutar por famílias inteiras que estão sendo separadas por ações injustas,” concluiu. A pastoral também tem promovido orações em favor dos imigrantes e das vítimas de ações policiais abusivas.
Até o momento, o Departamento de Segurança Interna não respondeu oficialmente aos questionamentos sobre as ações na igreja, mas o caso gerou forte repercussão local e nacional, reacendendo o debate sobre os limites da fiscalização em locais de culto e o respeito aos direitos civis dos imigrantes.














