Na celebração da solenidade da Epifania em Santa Petra, nesta terça-feira (6), o Papa Leo XIV afirmou que a presença salvadora de Deus se manifesta não “em um local prestigioso”, mas “em um lugar humilde”. A missa marcou também o encerramento da Porta Santa na Basílica, final do ano jubilar, enfatizando a necessidade de proteger o que é sagrado e vulnerável frente a um mundo que busca lucrar com tudo.
Humildade e revelação do divino
Na homilia transmitida ao vivo, Leo XIV refletiu sobre o Evangelho da viagem dos Magos (Mateus 2:1-12), contrastando a alegria dos que buscam Cristo com o temor de Herodes, que “tenta tirar vantagem da busca dos Magos ao manipular seu itinerário”. “O medo nos cega. Já a alegria do Evangelho nos liberta. Ela nos torna prudentes, mas também ousados, atentos e criativos”, afirmou o pontífice.
Ele alertou ainda para os perigos de uma economia distorcida, que transforma desejos humanos fundamentais em mercadoria, dizendo que é preciso proteger o que é “pequeno, vulnerável e frágil, como um bebê”. “A economia de mercado tenta lucrar com tudo, até com as aspirações de buscar, partir e recomeçar”, observou Leo XIV.
A missão da Igreja após o jubileu
O Santo Padre destacou a multidão de fiéis que atravessou a Porta Santa durante o jubileu, questionando o que a Igreja oferece a esses aventureiros de esperança. “O que eles encontraram na Igreja? A busca espiritual de nossos contemporâneos é mais profunda do que imaginamos”, refletiu. Ao final do ano jubilar, ele incentivou os fiéis a reconhecerem a presença de Deus nas pessoas ao seu redor: “Depois deste ano, estamos mais capazes de identificar um peregrino no visitante, um buscador no estranho, um irmão no estrangeiro, um companheiro de caminhada naqueles diferentes de nós”.
Chamado à renovação e à fé viva
Leo XIV também pediu que as igrejas deixem de ser museus e se tornem “lares de fé viva e esperança renovada”. “Se não reduzirmos nossas igrejas a monumentos e nossas comunidades a lares acolhedores, resistindo às seduções do poder, seremos a geração de um novo amanhecer”, destacou.
Angelus: construção de paz e esperança concretas
No final da missa, o Papa Leo XIV apareceu na ala central de Santa Petra para rezar o Angelus. Mais uma vez, ligou a significado da Epifania à busca por esperança concreta no mundo. “A esperança que proclamamos deve estar enraizada na realidade, pois Jesus veio ao mundo para criar uma nova história aqui”, afirmou.
Em seu apelo pela paz, pediu que “estranhos e inimigos se tornem irmãos e irmãs”, e que a indústria da guerra seja substituída pela arte da paz. “Como tecelões de esperança, caminhemos juntos por uma nova estrada”, concluiu.
Após a oração mariana, o pontífice saudou crianças e jovens de várias partes do mundo no Dia da Infância Missionária, agradecendo pelas orações pelos missionários e pelo auxílio aos necessitados. Ele também enviou votos de serenidade aos cristãos orientais que se preparam para celebrar o Natal de acordo com o calendário juliano.
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Este conteúdo foi originalmente publicado em dois partes pela ACI Prensa, parceira de notícias em espanhol da CNA, e foi adaptado por CNA.


