Brasil, 7 de janeiro de 2026
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

Operação dos EUA na Venezuela pode impactar preços do petróleo

A operação conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela pode gerar oscilações nos preços do petróleo, conforme avaliam especialistas. Nesta segunda-feira, houve leve alta, enquanto na terça-feira os preços abriram em curva ascendente, mas cederam ao longo do dia, refletindo a incerteza do mercado. No curto prazo, o conflito tende a pressionar os preços para cima, devido à possível redução da produção venezuelana e ao aumento de custos logísticos, como explica Fernando Siqueira, CFA e head de research da Eleven.

Impacto imediato e perspectivas de longo prazo

Segundo Siqueira, a combinação das ações militares e diplomáticas pode diminuir a produção venezuelana, que é atualmente de cerca de um milhão de barris por dia — pouco mais de 1% da oferta global. Ainda assim, a Venezuela possui reservas estimadas em 300 bilhões de barris, as maiores do mundo, representando cerca de 20% das reservas globais. Caso a intervenção aumente suas exportações, uma pressão de baixa sobre os preços do petróleo no médio prazo é esperada.

Investimentos e estabilidade na retomada da produção venezuelana

Helder Queiroz, coordenador do Grupo de Economia da Energia da UFRJ e ex-diretor da ANP, alerta que recuperar a produção venezuelana ao nível de três milhões de barris diários exigiria um investimento de cerca de US$ 100 bilhões ao longo de dez anos. Além disso, o processo levaria de quatro a cinco anos, devido à infraestrutura ultrapassada e à necessidade de estabilidade jurídica para atrair as empresas. “Apesar do interesse do governo americano, as companhias petrolíferas só embarcarão nisso se houver garantias de segurança e estabilidade”, afirma Queiroz.

Pressões de mercado e interesses geopolíticos

Ele acrescenta que, com o petróleo valendo menos, as empresas têm menos recursos disponíveis para investir e são mais seletivas em seus projetos. Caso o cenário de estabilidade não seja garantido, muitas poderão direcionar investimentos para outros países, incluindo o Brasil. Além disso, a retomada do aumento da produção venezuelana poderia gerar uma sobreoferta no mercado global, pressionando ainda mais os preços. Como explica Queiroz, essa questão envolve interesses conflitantes entre o presidente Donald Trump e as petrolíferas.

Repercussões globais e cenário internacional

De acordo com especialistas, a atual cotação do petróleo está quase pela metade do valor praticado entre 2010 e 2014, quando o barril chegou a US$ 140. Nesta terça-feira, a reportagem da Bloomberg revelou que o governo americano sinalizou a possibilidade de oferecer subsídios para estimular investimentos na área. Além disso, a situação da Venezuela é vista por alguns analistas como um fator de influência limitada no curto prazo, mas com potencial de pressão de baixa no mercado de energia no médio prazo, especialmente se a produção venezuelana voltar a níveis elevados.

Para mais informações, confira a análise completa no blog de Miriam Leitão.

PUBLICIDADE

Institucional

Anunciantes